terça-feira, 31 de agosto de 2010

Chamem o FMI (5)

"José Sócrates afirmou que há sinais de paragem na subida do desemprego citando dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional." - in Jornal de Negócios (2010.08.21)
"O departamento comunitário de estatística reviu hoje em alta os números do desemprego em Portugal, fixando em 11% a taxa apurada em Maio e Junho, o que corresponde ao valor mais alto da série estatística." - in Jornal de Negócios (2010.08.30)

Inaceitável


"Um dragoeiro existente nos terrenos da antiga Casa do Gaiato, na Boa Hora, foi derrubado durante os trabalhos de terraplanagem para a construção do novo Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo.(...)
(...)Esta espécie encontra-se protegida pela Convenção de Berna, da qual Portugal é signatário.(...)" - in Diário Insular
O "terraplanagem" é da responsabilidade do DI, que aderiu ao "portugalês", infelizmente.
Tratar mal a nossa língua é tão mau como derrubar dragoeiros. Inaceitável.

The Vanguard Jazz Orchestra

O som delicioso das grandes orquestras.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Maranatha (32)


IV. ECONOMIA

6. CONTRA A USURA

"A maior parte de nós deve dinheiro ao banco, por isto ou por aquilo. Tal facto leva-nos a concluir que o sistema financeiro é inevitável. Ora, a pessoa não está obrigada a coisa nenhuma. Criatividade e esperança devem estimular-nos na luta contra males evidentes.
A usura é o epicentro da doença moderna. Foi censurada pelos pensadores de todas as grandes culturas e proibida até ao séc. XVIII. Hoje, compreendemos bem porquê.
É certo que os contratos com os bancos são livres; mas também a ida aos bordéis o é. Uma sociedade forte não pode permitir que os pilares onde assenta tremam sob as investidas da tentação imoral.
A banca tende para o monopólio internacional, sendo a alta finança um perigo efectivo para as nações. Muitos países estão dominados por meia dúzia de capitalistas, se tanto, de quem não se conhece o rosto e a motivação. Em Roma foi parecido.
Isto não pode acontecer em Maranatha. Terá de haver a coragem de tornar a usura ilegal, de novo. Esta decisão exigirá imenso de nós, mas é fulcral: tem a ver com a liberdade. Seremos como um drogado que decidiu abandonar o vício que o corrompe.
Voltamos a encontrar a necessidade de decisões de fundo, como: o crescimento económico não é o fim último do homem; produzir, em vez de consumir, poupar para investir, distinção entre empréstimos produtivos/não produtivos, etc.
As famílias fortes e as corporações robustas serão determinantes nesta batalha. Voltaremos à herança, ao dote, ao enxoval, ao “casar para casa”; e cada ofício terá um fundo de modo a subsidiar, a juros acertados, os associados, de acordo com a hierarquia.
E compadres e amigos sempre estenderam a mão uns aos outros, nas horas de agonia, na base da confiança." - Mário Cabral in Diário Insular

Jason Moran

Em estúdio, gravando um tema do grande Thelonious Monk.

domingo, 29 de agosto de 2010

Maranatha (31)

V. ECONOMIA


5. ORDENS, CORPORAÇÕES, COOPERATIVAS E SINDICATOS


"O capitalismo afogou os sindicatos, que praticamente já nada valem. O perigo é imenso: avança o monopólio e, por conseguinte, morre a propriedade privada.
Em parte, a culpa foi dos próprios sindicatos, que politizaram o trabalho, inclinando-se para o comunismo. Com a queda do muro de Berlim, os trabalhadores ficaram sem ideologia e sem defesa.
As ordens cumpriram melhor o seu papel de associações meramente profissionais, haja em vista o caso português, comparando-se o sindicato dos professores com a ordem dos médicos e a dos engenheiros.
Em Maranatha voltaremos ao modelo medieval das corporações, evitando que elas degenerem em sindicatos; há uma diferença filosófica de raiz: os sindicalistas tendem a não ser proprietários, enquanto só estes podem ser corporativistas.
As corporações visam a dignidade da pessoa humana no seu trabalho livre e independente. Obedecem ao princípio: «A união faz a força». Numa corporação, o mais fraco está salvaguardado das investidas do mais forte, dentro do mesmo ofício; e da opressão económica que pode derivar do exterior.
O maior parasita das corporações é o comunismo.
Isto não invalida que as corporações adquiram bens comuns, o que poderá ser a alternativa para fugir à banca e ao capitalismo, em geral. Por exemplo, os lavradores usam hoje maquinaria muito cara e que mal é aproveitada só por um dono.
As corporações serão independentes, gerindo os estatutos, controlando admissões e hierarquias, que são essenciais (aprendiz, mestre, etc.); os preços e a qualidade dos produtos, bem como a quantidade da produção, a margem do lucro, etc.
Vão precisar duma sede.
O Estado terá o controlo do jogo de forças das corporações no todo do interesse social." - Mário Cabral in Diário Insular

Henri Texier Sonjal Septet

Além do próprio no baixo, é acompanhado por Sebastien Texier (saxofone alto), Julien Lourau (saxofone tenor), Francois Corneloup (saxofone soprano), Bojan Zulfikarpasic (piano), Noel Akchote (guitarra) e Jacques Mahieux (bateria).

sábado, 28 de agosto de 2010

Maranatha (30)

IV. ECONOMIA


4. PRODUTORES E CONSUMIDORES


"Houve altura em que a Graciosa tinha mais vinho do que água; como nas ilhas todas, não havia dinheiro, embora não faltasse feijão, batata, ovos, peixe e o resto.
Anuncia-se o colapso da era consumista. Porém, o busílis não está no regresso inevitável à economia de subsistência, outrossim na escolha consciente entre ser produtor ou consumidor.
Não passa pela cabeça de ninguém que os açorianos comprem peixe aos espanhóis e leite aos holandeses. Contudo, já é uma realidade que os nossos lavradores se abasteçam de maçãs e tomates no hiper; pior: que não saibam plantar hortícolas!
Trata-se duma questão mental, como tudo o que é humano. Decidimos ser modernos, identificando progresso com modelos estrangeiros, sem usarmos de critério inteligente para distinguir entre bem-estar consumista e felicidade criadora.
Esta confusão é fatal, porque a economia é um campo da moral. Veja-se como a América decadente está nas mãos da China, como Roma também acabou por ser um sugador de produtos vindos das colónias.
Em Maranatha jamais o consumo se sobreporá à produção. Em todas as áreas seremos criadores da solução para as nossas necessidades, que não precisam de ser primitivas ou artesanais.
Suponhamos o trabalho da terra. Por exigências de verdadeira modernidade, incentivaremos o cultivo biológico, explicando porque é que o que vem de fora é pior, embora pareça melhor.
Suponhamos a energia; não temos petróleo – mas quem precisa de petróleo no século XXI, quando tem tanto vapor vulcânico, tanto vento e tanto mar e sol o quanto baste?!
Suponhamos a cultura: ai dinheiro que se gasta com a importação de palha, só porque está na berra! Entretanto, o nosso génio, envergonhado, acaba por definhar." - Mário Cabral in Diário Insular

James Carter

O mestre do saxofone dispensa apresentações.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

The Berliner Philharmoniker’s Season Opening

De regresso ao escritório, depois de uma visita à minha dentista, o concerto de abertura da época de música da Berliner Philharmoniker. Em directo online, a partir da fabulosa sala da foto, uma oferta do Deutsche Bank. Sem atrasos e sem falhas.

Maranatha (29)


IV. ECONOMIA

3. NEGÓCIOS DE FAMÍLIA

"Natural é o trabalho reflectir o valor moral de quem o faz. Também se chamava “artes” aos “ofícios”, quando estes atingiam a perfeição da excelência. De um carpinteiro que fizesse móveis onde projectasse o gosto compenetrado com a ocupação dos seus dias, dizia-se: «É um artista».
Não queria ficar rico a todo o custo. Sustentava a família e desejava, isto sim, ter um filho que herdasse o seu jeito e a sua seriedade. A carteira de clientes, todos conhecidos pelo nome, família e freguesia de origem, passava de geração em geração.
Quando as coisas são assim, o trabalho não é uma alienação. A oficina do sapateiro é ponto de encontro, no barbeiro discute-se as notícias e na costureira apertam-se os laços comunitários. O que não se faz hoje faz-se amanhã, que o patrão é o próprio empregado, ou então o pai, avô, tio ou padrinho. Perdoa-se um atraso a um neto, dá-se uma folga ao filho da irmã, não se despede um afilhado que acabou de casar.
Raramente alguém é aldrabado: o dono não vai gastar em toleimas de função pública, porque o dinheiro é seu e custa a ganhar; o filho não vai roubar o pai, antes esforçar-se-á para atingir a sua mestria, pois vê o respeito que todos lhe têm; e só uma pessoa que não presta engana um freguês antigo.
Estas são as qualidades das pequenas empresas familiares que voltarão a ser defendidas em Maranatha. O Estado estará muito atento às multinacionais e às sociedades anónimas, obcecadas com o lucro e com tendência a escravizar a pessoa humana.
Não haverá empresas públicas com objectivos políticos descarados. Aliás, o maior inimigo do trabalho em Maranatha serão os políticos “Maria-vai-com-as-outras”, estrangeirados que não sabem o luxo que herdaram.
" - Mário Cabral in Diário Insular

Jaleel Shaw Quintet

O quinteto deste saxofonista, com um grande som, aqui em estúdio.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sócrates, aprende que a senhora não dura para sempre (3)


"O índice do instituto alemão IFO que mede o clima de negócios na Alemanha avançou para 106,7 em Agosto face aos 106,2 verificados em Junho. É a quarta subida mensal consecutiva e o valor mais elevado desde Junho de 2007." - in Diário Económico

Maranatha (28)


IV. ECONOMIA

2. ELOGIO DO TRABALHO

"Trabalhar faz parte do Homem, activo por natureza. Outros animais são construtores notáveis: ninhos, diques, torres... Até as plantas, ao seu nível, produzem actividade. As nossas mãos reflectem a alta elaboração do nosso espírito.
A preguiça é defeito grave. Vai reduzindo vontade, criatividade e inteligência, fechando-nos abaixo do nível de pessoas, embrutecendo-nos.
O trabalho é a via privilegiada para a comunicação e o entrosamento social. É um direito natural inalienável.
As relações de trabalho são complexas e geram conflitos graves. Nem todos trabalham por sua conta e naquilo que gostam, o que motiva choques entre a liberdade e as obrigações.
No essencial, será odioso escravizar ou explorar alguém. Percebe-se quando alguém está a trabalhar de mais, ou a ganhar muito ou pouco, num determinado contexto. Os horários jamais poderão sobrepor-se às obrigações familiares e ninguém será obrigado a trabalhar longe do seu lar. Será proibido trabalhar ao Domingo. Não se poderá despedir sem justa causa. O Estado empregará o mínimo. Há direito a subsídio de desemprego. Não há direito a subsídio de férias.
Teremos muito cuidado com a introdução das máquinas: visam aliviar o esforço, não aumentar o lucro.
Em Maranatha todos trabalharão, desde crianças a velhos. Combata-se o cinismo moderno que exclui uns e outros da “vida activa”, fomentando a indolência e a convicção de que tudo nos é devido e nada nos é exigido. Claro que tudo tem uma medida, conforme o ritmo biológico e as exigências da educação; mas muitas tarefas podem ser executadas por crianças com ganho pedagógico, e muitas por velhos sábios, embora já cansados.
Quem não quiser trabalhar perderá todos os direitos sociais.
" - Mário Cabral in Diário Insular

Jacob Dinesen

No saxofone, com um punhado de músicos, a maioria do norte da Europa, com a qualidade a que já nos habituaram.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Maranatha (27)


IV. ECONOMIA

1. ELOGIO DA POBREZA

"Talvez seja o maior repto da nossa cidade: ninguém vai querer ser rico em Maranatha, muito menos os responsáveis farão o discurso da nação forte economicamente.
Tal não significa apologia da miséria.
Tal não significa que a riqueza vá ser proibida.
Uma coisa é ser rico, outra é querer sê-lo. O mal está sempre no segundo caso, embora não no primeiro, de forma necessária. Dois exemplos: uma pessoa pode herdar uma fortuna que nem desejou e utilizá-la para praticar a caridade; o trabalho honrado pode enriquecer alguém.
Desejar ser rico é estar muito confundido acerca da essência da felicidade e preparar-se para vender a alma ao Diabo, passando por cima de pessoas e de princípios morais para atingir o dinheiro e a influência que o poder económico promove.
Para além de ser, na sua essência, um desejo imoral, torna-se logo numa ambição anti-social, porque quem almeja ser rico pensa primeiro no seu interesse pessoal e nunca está disposto ao sacrifício que o bem comum muitas vezes exige.
Portanto, mais importante do que os particulares de Maranatha não quererem ser ricos será o rei, o senado e o governo não provocarem nem por discursos nem por acções a ideia de que o bem-estar material é determinante para a saúde da Pátria, o que é falso, ao contrário daquilo que se ouve – era para a América e a Europa serem o céu na terra!
Jamais economia ou gestão terão aqui lugar cimeiro. Os políticos formar-se-ão em Humanidades, havendo segundos lugares técnicos para os excelentes em contas. Ideias primeiro; números depois.
Byron tem aqueles versos famosos sobre os impérios: «primeiro a liberdade e a glória; quando estas falham, vem a riqueza, o vício e a corrupção – e, por último, a barbárie».
" - Mário Cabral in Diário Insular

Jack Walrath

No Cascais Jazz, com os portugueses Zé Eduardo Unit.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Maranatha (26)


III. PODER

10. UM DIA EM MARANATHA

"Já é possível visitar Maranatha; passemos, pois, lá, um dia.
Escolheremos os finais de Setembro, quando o trabalho da terra dá o seu fruto e, cansados mas satisfeitos, os homens todos são reis.
Chegaremos às sete; os alunos, que iniciaram o ano lectivo, encontram-se na missa, que antecede as aulas. À luz doirada que entra pelas janelas altas, distinguiremos as raparigas numa ala e os rapazes noutra, todos de farda imaculada. Atrás, senadores e povo salteado.
Os jovens não saem do templo, que há portas específicas pelas quais seus mestres os conduzem aos corredores escolares, rapazes para um lado, raparigas para o outro. Algazarra própria da idade vem destas portas para a igreja.
Saímos pelo meio do povo, que vai consultando os senadores sobre diversos assuntos, demorando-se nos degraus e pelo meio da praça. Muitas vezes os casos ficam tratados antes que se chegue ao palácio.
Enquanto descemos, somos tomados pelos perfumes misturados que vêm do mercado: uvas brancas e uvas de cheiro, figos pretos esbeiçados, ervilhas e favas, abóboras e mogangos, peixe ainda saltitante. Ouvem-se pregões, conversas em voz alta e gritos de entusiasmo. Uma multidão anda às compras e pára de conversa debaixo das arcadas e na praça, onde não há carros.
Perdemo-nos nas horas. Simpáticas, as pessoas cavaqueiam. Quando pensamos tomar o campo, já os alunos estão no intervalo. Os senadores observam-nos com atenção, estudam seus modos e temperamentos, procuram futuros governantes.
Optamos por almoçar na esplanada duma venda. Há odores de compotas. A dona insiste em levar-nos à cozinha. Lá, dita um itinerário. Entretanto, convida-nos para assistir, à noite, à filarmónica do liceu.
Às dez já o silêncio lunar.
" - Mário Cabral in Diário Insular

Sócrates, aprende que a senhora não dura para sempre (2)

"O PIB da Alemanha ultrapassou no primeiro semestre de 2010 mais de 1,2 mil milhões de euros.
Caso a Alemanha continue neste ritmo até final do ano, o país voltará a cumprir os critérios de Maastricht, que estabelecem um défice máximo de 3 por cento do PIB." - In Económico

Jack DeJohnette

Este mestre da bateria dispensa qualquer apresentação.