sábado, 5 de março de 2011

Maranatha (58)

VII. CULTURA

2. NATUREZA E CULTURA

"O pensamento ecológico esforça-se por desfazer o degrau óbvio que distingue a Humanidade do resto do mundo natural. Qual o tolo que não vê que somos animais? Mas também é evidente que nenhum chimpanzé se benze.
É uma doença reactiva ao progresso industrial moderno, que tudo indica está a perturbar o equilíbrio do planeta. Os verdes são pós-modernos, na medida em que já não acreditam no ideário burguês capitalista. Como tal, deveriam aproximar-se dos conservadores mas, como são ignorantes, confundem os tempos históricos.
Marguerite Yourcenar chega ao desplante de acusar a tradição de ser a causadora do afastamento da Natureza, referindo o "Génesis" como o lugar onde se assiste a este pecado, em concreto quando Deus declara Adão e Eva senhores do mundo criado.
Ela leu por alto o livro fundador do Ocidente, já que Deus pede a ajuda do Homem para cuidar do Paraíso, e não para o destruir, o que seria contraditório. Ela é uma menina da cidade, pois se tivesse uma vivência rural compreenderia que a cultura agrária estabelece íntima relação com a terra e o céu. Se ela não odiasse tanto a Idade Média, teria ouvido falar dum homem chamado Francisco de Assis, que conheceu um sucesso avassalador, até aos dias de hoje.
De maneira mais clara e sucinta: o ser humano faz parte integrante da Natureza, que não é o seu "meio ambiente", expressão que põe à mostra o cinismo ecologista. O homem culto não se opõe ao mundo, antes puxa a terra para o céu, tornando-a sublime.
Ao contrário, quando perdemos o horizonte infinito, emporcalhamo-nos na lama das sensações e não criamos nada que tire o fôlego.
O homem culto ama a Natureza; o ecologista não cumpre o papel espiritual que a Natureza lhe concede." - Mário Cabral in Diário Insular

Maranatha (57)

VII. CULTURA

1. CULTURA E CIVILIZAÇÃO

"Distingamos cultura de civilização do seguinte modo: esta, é uma matéria tão-só humana; aquela, relaciona a Humanidade com a Natureza e a Transcendência.
Pode haver uma civilização inculta, embora esteja condenada ao fracasso. É o caso ocidental moderno.
Não pode haver uma cultura não civilizada. Seria uma contradição nos termos.
A civilização inculta vive obcecada com o desenvolvimento tecnológico e com o futuro. Logo, está permanentemente a morrer, às suas próprias mãos. Quando desaparece, de vez, não deixa nada atrás de si; pois quem é que deseja comprar um telemóvel que já saiu há dois anos?
Tende a ser nervosa, precipitada, a fazer mal feito, sem reflectir nas consequências - se bem que tenha muito boa impressão de si própria e se apregoe aos quatro ventos. É visionária e idealista, no sentido de utópica. Conduz à angústia e ao desespero; lançada no futuro, não oferece sentido aos dias do presente.
Ao contrário, uma cultura deixa para sempre um manancial de obras que só um bárbaro não tem por inestimáveis. Trocam o futuro pela eternidade.
A pessoa culta ama a herança do Passado, observa com espanto a lei natural, descobrindo atrás de tudo o sabor do Mistério.
Um conservador é culto e, por conseguinte, o homem mais civilizado de todos. Comparado com uma árvore, quanto mais fundo enraíza, mais para o alto floresce.
Coitados dos modernos, que aquilo a que chamam cultura não tem outro destino que não seja desaparecer nos abismos do nada, visto o ódio com que se atiraram à Tradição, que "desconstroem", como gostam de lhe chamar. Estéreis, verão o vazio; já estivemos mais longe deste dia. Cínicos, já criam o efémero, como se fora de propósito.
Maranatha vai ser uma cultura." - Mário Cabral in Diário Insular

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Maranatha (56)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

10. JUÍZO FINAL

"Que tem Esperança a ver com Justiça? Do avesso, percebe-se melhor o parentesco: mundo sem Esperança abunda em injustiça.
As circunstâncias da vida podem ser madrastas, em especial para com aqueles que não merecem os infortúnios da má sorte.
Por outro lado, quem é que entende todas as pregas da alma humana? Cada um de nós sabe que, dentro de si, há muitas razões que nenhuma outra pessoa vê na totalidade. Nem nós próprios entendemos, muitas vezes, o que nos levou a esta nossa acção livre.
Portanto, em Maranatha, no dia em que se ensinar às criancinhas as torturas do Inferno, se anunciará a esperança absoluta no Juízo Final, onde a responsabilidade moral é paga para toda a eternidade.
Sim, um Eu verdadeiro exige um Juiz Absoluto. O Eu infinito exige o Outro infinito. Só Ele está à altura da compreensão íntima radical.
Como pode um tribunal funcionar sem esta crença no Bem Absoluto e no Juiz Misericordioso? Não pode; porque, retirado o absoluto fica o relativo, que autoriza a violência, o que é contraditório com a Justiça.
Haver um tribunal ao qual recorrer de uma sentença - haver um terceiro, mais acima, e um quarto, com ainda mais poderes... o tribunal europeu, o tribunal internacional; este é o anseio do réu.
A Justiça exige a Perfeição.
Cada pessoa humana deseja ser julgada pelo seu Criador, mesmo que ainda O não conheça.
Ele vê por fora e por dentro, as minhas intenções e aquilo que, de facto, fiz, no meio das circunstâncias do mundo. Só Ele me pode compreender por inteiro, à justa, só Ele é o Justíssimo.
Tenho direito ao Juiz dos juízes.
Como desistir deste olhar misericordioso?
Recusá-lo a outrem é crime, porque é recusar o infinito que cada pessoa sabe que é.
E é, de facto." - Mário Cabral in Diário Insular

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os Emigrantes de Domingos Rebelo

Hoje fiquei a saber que não existe apenas um quadro Os Emigrantes, de Domingos Rebelo. Existem dois, pintados com 3 anos de diferença.

Hoje tive o privilégio de estar estar em frente do original daquele que é, certamente, o mais conhecido. É uma tela de dimensões impressionantes, que nos transporta para uma cidade de Ponta Delgada de há cerca de um século atrás.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Luis Nazaré no Plano Inclinado


Interessante ver e ouvir este economista próximo do PS, em especial num dos governos de Guterres.

Maranatha (55)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

9. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

"A "Declaração Universal dos Direitos do Homem" não é auto-evidente, ao contrário do que é costume supor-se no mundo ocidental. A China não a respeita, tal como muitos países muçulmanos, e outros. Esta recusa talvez não seja apenas interesseira, pelo menos há princípios teóricos que a autorizam.
Daqui não se conclui que as intenções da "Carta..." sejam más, apenas que não se baseiam, sempre, na lei natural. A democracia não é o único regime aceitável (art.º 21); a segurança social é discutível (art.º 22), bem como o que se diz acerca da educação (art.º 26).
Ironias da vida que se faz, há poucos meses a formulação da "Carta..." - que é de 1948, quando a Europa tinha acabado de ver o Demónio - foi salva do assalto relativista dos pós-modernos por estes mesmos países doutras culturas que não a nossa, chocados com os artigos que os decadentistas queriam introduzir.
Na altura em que foi escrita a "Carta Internacional dos Direitos Humanos", os políticos europeus ainda se benziam ou, se não era o caso, ainda estavam encharcados do espírito cristão, que passou para o documento, mesmo sem se darem conta. Aqui e ali houve cedências aos outros vencedores da Guerra, resultando um texto que não é homogéneo, do ponto de vista filosófico.
Em resumo: o espírito dos "Direitos Humanos" é iluminista, portanto, moderno: tende para o lado da lei positiva, contra a lei natural e a lei moral. Na formulação que ainda temos, persistem muitas bases teológicas, não explicitadas, que levam a lei natural para o sublime dos céus. Mas nada garante que permaneçam imunes ao ataque dos novos bárbaros. O que nasce torto...
Não assinaremos a "Carta..." em Maranatha. É lei positiva, no sentido actual; logo, arriscada." - Mário Cabral in Diário Insular

domingo, 30 de janeiro de 2011

Plano Inclinado discute o PORDATA


Tema interessante sobre uma ferramenta que destoa no país dos palpites e onde quase tudo é "segredo de Estado".

Maranatha (54)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

8. OS DEGRAUS DA LEI

"Há a lei natural, o costume, a lei positiva e a lei revelada. Um conservador não vê, em teoria, nenhum choque entre estes degraus da escada que é a Justiça.
Os modernos tendem a opor a lei natural à moral; mas nem a lei natural tem algo a ver com a fantasia do "bom selvagem", nem a cultura saudável se opõe à natureza.
Os antigos viram na lei natural uma disposição objectiva para o Bem, entranhada em todo o existente. Daqui concluíram: 1. que o Bem e o Justo não são criações humanas; 2. que as sociedades humanas não podem depender dos caprichos da vontade.
Tal como a miopia altera a boa visão, também em termos morais pode dar-se o caso de as pessoas agirem mal por ignorância: por exemplo, as pessoas pensavam que ser gordo era saudável.
Em si, a lei natural nunca está mal, pois é a lei do ser, tal como é. No nosso caso, temos sempre de usar a razão para justificar a nossa acção, com base neste pressuposto.
Não há só um costume certo - mas há muitos abjectos. Isto deve-se ao facto de a lei natural orientar "no grosso", digamos assim. A lei positiva (criada pelo homem) serve para especificar os casos, no pormenor da circunstância concreta. Porém, supor que os homens podem criar leis, sem ligar à lei natural, conduz à violência do relativismo.
Logo: lei natural, lei moral e lei positiva são degraus harmoniosos.
Quanto à lei revelada: em geral, os Dez Mandamentos deduzem-se da lei natural. Já o Evangelho suplanta tudo o que é possível exigir apenas com base nesta. Neste ponto, não se pode obrigar ninguém a saltar para a outra margem... embora ela não ofereça contradição.
Tem a ver com o Amor.
Uma pessoa normal aceita a supremacia do Amor.
Mas o Amor exige a liberdade." - Mário Cabral in Diário Insular

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quando tinha a tua idade

Se eu voltasse atrás
Por minha minha vontade
Trocava alguns anos desta vida
Por um só dia na tua idade

sábado, 22 de janeiro de 2011

Maranatha (53)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

7. FORÇAS ARMADAS

"Maranatha não é o Céu na Terra. Este é um mito da esquerda utópica, que não conhece a natureza humana. Onde há pessoas há conflitos. Ora, porque não somos anjos é que a nossa cidade se esforça por ter regras muito bem definidas.
Claro que a paz é melhor do que a guerra; tudo deverá ser feito para a preservar. Mas, ao contrário do que pensam os falsos pacifistas, a violência nem sempre é imoral: a legítima defesa não é condenável; nem a guerra justa.
Aliás, a coisa funciona, por vezes, ao contrário, como se pode ver por estes exemplos: (1) Um pai é obrigado, por força moral, a defender os seus filhos, a sua mulher e o seu património, mesmo que para tal tenha de matar; (2) Quem vir um velho a ser assaltado tem a obrigação de o ajudar; (3) Salvar a Pátria de ataques externos é uma honra sublime.
Vamos, pois, precisar de forças policiais e de cadeias. Ao contrário do que acontece agora, a nossa polícia estará vocacionada a defender a propriedade privada e a privacidade, sem atender a ideologias fundadas em falsas psicologices modernas, que poupam o coitadinho do bandido e deixam inseguros os cidadãos honestos. As cadeias não vão ser hotéis de luxo.
O serviço militar voltará a ser obrigatório e apenas para homens (aliás, como todas as forças armadas). Mesmo que nunca houvesse guerra, aos mancebos deve ser inculcado o patriotismo como valor dignificante, a coragem como virtude cardeal que distingue um homem feito dum adolescente.
Imaginando que a Terceira é Maranatha, como vencer um ataque americano? "Antes morrer livres que em paz sujeitos" é a nossa divisa. Israel sobreviveu sempre aos vizinhos poderosos. A América não venceu o Vietname.
É a força heróica do amor à terra-mãe." - Mário Cabral in Diário Insular

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

António Nogueira Leite no Plano Inclinado


É curioso, e também sintomático, ver no mesmo programa dois desiludidos do PS. Medina Carreira foi ministro de Soares e Nogueira Leite foi secretário de Estado de Guterres. Quem de lá sai ganha uma alergia que dura até à cova.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maranatha (52)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

6. TRAIÇÃO

"A traição será considerada em Maranatha defeito moral insuportável e crime punido severamente. A traição dá-se ao nível familiar, ao nível do status e ao nível nacional; em todos, introduz a desconfiança na comunhão e, como tal, é cancro a prever nas suas variantes subtis.
É o oposto do Amor, e abre-se num leque de fétidos sentimentos: a mentira, o cinismo, o egoísmo, a cobardia, o despeito... A comunidade não resiste ao traidor. Este defeito de carácter está ligado às virtudes cardeais, portanto, é auto-evidente em todo mundo.
Na actualidade, e com forte prejuízo político, encontram-se duas variantes de traidores tão mais graves quanto aparecem à luz do dia sem vergonha nenhuma, e até disfarçados de bens superlativos: as multinacionais e a liberdade de expressão.
Quando o lucro privado põe em cheque a Pátria, há crime de lesa-majestade. Jamais poderá ser permitido que a economia, seja por que motivo for, se sobreponha aos valores patrióticos - que tal possa acontecer por culpa do próprio Estado, é diabólico. As leis de Maranatha serão muito rígidas neste campo, que é essencial.
Há que ser lúcido com muito daquilo que se diz "liberdade de expressão" e que não passa de vulgar atentado à privacidade e escarro contra a integridade nacional. Um regime político maduro não pode ter medo de separar o trigo do joio e de proibir veementemente a chalaça provocatória, com danos intermináveis.
A Geração de 70 introduziu a moda de falar mal de Portugal. Não se pode achar fino que alguém maltrate a sua Pátria e a sua Tradição. Uma pessoa confiável não fala mal de seus pais, mesmo que eles não prestem, pois deve-lhes sempre imenso. É uma questão de justiça e dignidade... e de estilo." Mário Cabral in Diário Insular

sábado, 8 de janeiro de 2011

Camorra Lusitana (11)

Compreende-se. O futuro transporte do glorioso líder será, eventualmente, um dos blindados.

Maranatha (51)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

5. MINORIAS. TOLERÂNCIAS.

"Suponhamos que os canhotos decidem reivindicar um código de estrada que os permita conduzir pela esquerda. Admitamos que provam cientificamente a desvantagem que levam em relação aos dextros, protegidos pela lei. Daqui não se pode concluir da legitimidade da sua exigência.
Não pode haver dois códigos de estrada antagónicos. Ou se mantém a tradicional maneira de andar de carro, ou se mudam as regras para atender à minoria de esquerdinos; pois que interessa saber que estes são apenas 10% da população.
Nada garante que as maiorias tenham razão; mas também nada implica que as minorias estejam certas. Não é sensato pressupor que a maioria está errada, ou que pertencer à minoria é uma infelicidade.
Contudo, as provas a favor duma ideia ou dum comportamento social são lógicas, não matemáticas, por outras palavras, são qualitativas, não quantitativas. Ganha o argumento mais forte, com mais sentido, que leva mais longe. Deveria ser assim, em democracia.
Há sempre alguém que está descontente com uma lei. Isto não significa que a lei seja injusta. Mesmo a pessoa que não é favorecida pela lei pode entender os motivos racionais que subjazem à dita. Fumando ao frio, muitos fumadores compreendem a nova lei do tabaco.
Agora vamos imaginar que se proibiam as pessoas de escrever com a mão esquerda e que, nas salas de aulas, não havia daquelas cadeiras com tabuletas basculantes do lado esquerdo. Estaríamos diante de uma intromissão na privacidade, tanto mais grave quanto nenhum mal vem ao mundo por haver canhotos.
Muitas coisas podem tolerar-se, outras não. Não se pode tolerar a intolerância, por exemplo - é contraditório. A tolerância não é um direito; é, antes, a ausência pacífica dele." - Mário cabral in Diário Insular

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Diz o roto ao nu...


Afinal Alegre não me desilude. Qual frei Tomás, é de esquerda ma non troppo e gosta de dinheiro como qualquer comum dos mortais. Devia cuspir menos para o ar. O cuspo começa a cair-lhe na cabeça.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Maranatha (50)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

4. PERTENÇA, PROPRIEDADE E PRIVACIDADE

"Num de repente, ninguém quer ser de ninguém, acto de rebeldia tonta a que chamam liberdade. Quem não quer dar a mão para a dança de roda social anda por aí à deriva, parecendo feliz até perder beleza, dinheiro e saúde. Quem não gosta de pedir favores não gosta que lhe peçam favores, está entregue à solidão e ao egoísmo.
Em Maranatha, vamos ser uns dos outros, a começar pelo marido, a quem a mulher chamará "o meu homem"; e pela mulher, a quem o marido chamará "a minha patroa". Eles não são "companheiros" duma aventura que dura o que durar. São o lado exterior de si próprios, para todo o sempre.
Quem não é de ninguém é um pobre de Cristo, sem uma alma que o possa ajudar. O Amor possui, o Ódio é que afasta. Quem ama protege, ampara e favorece. A pessoa amada deixa de ser uma qualquer - é a eleita. Quando isto não se passa, o outro é reduzido a um objecto de consumo, o que é abjecto.
Claro que uma coisa é ter pessoas, outra é ter bens materiais, mas a analogia é muito forte, para ambas as pontas. Os laços de responsabilidade moral exigem a propriedade privada e o trabalho; estes são o chão ideal para a economia, por causa dos instintos básicos.
Quem não pertence a ninguém, perde o pudor e a privacidade não lhe diz nada. Os olhares dos outros são todos iguais. Não há exterioridade porque não há interioridade; não há segredos porque não há encantos.
Portanto, as leis de Maranatha serão do seguinte teor: abstinência antes do matrimónio; fidelidade dentro do pacto conjugal; leis contra a prostituição, a pornografia e o atentado ao pudor (Facebook e wikileaks); e proibidos modelos alternativos de relação, saúde paga pelo Estado e sistemas económicos comunistas e socialistas, em geral." - Mário Cabral in Diário Insular

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011/2018

Tive um professor de Economia Política que me disse que os ciclos económicos em Portugal são de cerca de 7 anos. O tempo tem-lhe dado razão. Pior que 2010 só 2003 e podíamos fazer o exercício de recuar no tempo para encontrarmos anos de má memória coincidentes com estes ciclos.
O problema destes ciclos é serem muito curtos em termos macro-económicos. Além disso, entre os anos de início e fim de ciclo a nossa economia rasteja o que faz com que estes anos sejam sentidos de forma intensa.
O ano de 2011 é o início de um novo ciclo. Vai ter um ponto crítico em 2013/2014 e terminará em 2018.
É o tempo que temos para criar um país diferente e deixá-lo governável à geração dos jovens que hoje têm entre os 17 e os 20 anos. Para isso precisamos que o Estado emagreça e que a economia tenha condições para crescer. Para isso o esforço tem de tocar a todos, o que não está a acontecer e temo que nunca venha a acontecer. A incapacidade dos nossos governantes para mobilizar o país é angustiante e preocupante.
E com esta reflexão termino o ano. Tal como no Natal, os meus votos são de um 2011 pelo menos melhor que 2010, o que apesar de tudo não é impossível, para todos, sem excepção.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Chamem o FMI (15)

"A Segurança Social promoveu todas as chefias para compensar os cortes salariais no próximo ano. O aumento tem efeitos retroactivos ao início de 2010. As nomeações foram hoje publicadas em Diário da República e são assinadas pelo ministro das Finanças." - in SIC
Repetindo o que já aqui escrevi: enquanto o PS e o Governo usarem expedientes como este, que só vêm provar que a austeridade não é para todos, quero que o mentiroso do Sócrates, o incompetente do Teixeira dos Santos e os ridículos Jorge Lacão e Silva Pereira (para referir apenas a fila da frente da plateia governamental) enfiem os apelos ao esforço nacional, e já agora o Estado Social também, pelo seus rectos burgueses acima.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Presidenciais (3)

Entrar em 2011 com o país em depressão (económica e psicológica), com Sócrates herdado de 2010 (esta é imperdoável a Cavaco), com a certeza de um PEC 4 lá para Abril/Maio, com o Código Contributivo (quando em fins de Janeiro nos forem aos bolsos verão como é requintado e aqui o PSD não tem as mãos limpas), só falta mesmo Alegre ser eleito para a desgraça ser completa. Com 30% de eleitores a considerarem voltar a votar em Sócrates, tudo é possível.
Angola é cada vez mais uma (má) opção.
(imagem tirada daqui)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mais deputados com coluna vertebral, precisam-se.

"A quebra de disciplina de voto do deputado regional do CDS-PP, Pedro Medina, durante a reconfirmação da remuneração complementar quarta-feira no Parlamento dos Açores, poderá chegar ao Conselho de Jurisdição Nacional, apurou a agência Lusa." - in Público
Apesar de com uns dias de atraso, quero expressar o meu apreço público a um deputado que teve a coragem de ser livre.
No assunto em causa, à excepção do PSD/A, toda a oposição, na generalidade, e Artur Lima, em particular, estiveram em minha opinião muito mal.   

Maranatha (49)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

3. LEIS DO MATRIMÓNIO

"As culturas fortes determinam leis rigorosas para o casamento. Assim vai ser em Maranatha, onde o direito privado será nuclear. Casar voltará a ser o desejo mais íntimo de todos.
Não se pode permitir que os fundamentos da sociedade caiam numa espécie de cenário de telenovela mexicana, que é mais ou menos o que aconteceu ao casamento, nos nossos dias.
Em parte chegou-se a tal ponto por decadência do status, hierarquia de relações a reconstruir na nossa cidade. Sem esta rede de apoio, na retaguarda, os noivos ficam muito vulneráveis à fraude e aos caprichos da paixão, que é sentimento volátil.
Não admira que as famílias "monoparentais" tenham parido as "uniões de facto" e estas coisa nenhuma que se aguente. As tristes consequências desdobram-se nas inseguranças afectivas de pais e filhos e na delapidação do património. Ora, uma e outra vertentes põem em risco a dignidade humana.
Sim, vai interessar, de novo, a pergunta feita, pelas tias, à boca pequena: "Quem é o rapaz? É de boas famílias? É trabalhador e sério?" "E ela? Tem com quê?"
Claro que a atracção natural deve ser tida em conta; mas aos pais assistirá o direito de velar pelos interesses dos seus rebentos, muitas vezes teimosos, voluntariosos, inconsequentes.
A palavra "matrimónio" diz tudo: trata-se da reprodução de duas famílias, que dão um nó na trama social. É, rigorosamente, um assunto transcendente (ultrapassa todas as partes, na manutenção da sociedade). Desfazer este nó põe em risco tudo.
Alegria!
Nenhuma festa suplanta umas bodas!
Casa um homem e uma mulher, com a promessa de terem filhos. Adultério, vergonha; divórcio, proibido; poligamia é pecado, que a pessoa não é parte duma série.
Viúvos poderão recasar." - Mário Cabral in Diário Insular

O que seria deles...(8)

"A inclusão das coimas nas despesas tem uma aplicação prática. É que como é a partir das despesas que o Estado calcula a subvenção concedida aos partidos, ao incluir as coimas nessas despesas, os partidos acabam por receber de volta, mais tarde, o valor monetário das coimas que lhe foram aplicadas." - in Público
Para quando a revolta?

Novo Código Contributivo em vigor a partir de Janeiro

"Quem ganha mil euros por mês a recibos verdes vai entregar no total do ano mais 381 euros às Finanças e à Segurança Social. Já quem ganha 1500 euros terá de pagar mais 423 euros.(...)
Em 2012 quem ganha 1500 euros por trabalho independente vai voltar, por isso, a ter uma subida de impostos. Nesse ano vai entregar mais 1168 euros ao Estado do que em 2010." - in TSF
Aproxima-se 2011 e há poucos motivos para votos de feliz ano novo. O próximo ano vai antes ser o primeiro de muitos em que o Estado vai sugar até à exaustão o cidadão contibuinte.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Para todos, sem excepção

Faltam poucas horas. À família ausente, aos amigos e conhecidos, aos adversários e inimigos, a quem me deve dinheiro, a todo Mundo sem qualquer excepção, desejo um Natal cheio de Paz.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vicente Jorge Silva no Plano Inclinado


Tão socrático que ele era...

Maranatha (48)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

2. JUÍZES

"Os juízes de Maranatha serão recrutados dentre o Senado, pelo que jamais terão menos de sessenta anos. Voltará a ser uma ideia abominável imaginar um jovem a presidir a um julgamento.
Julgar não é um acto comparável à resolução de um exercício de lógica e matemática, onde quem domina os códigos e os aplica com destreza está apto a passar no exame.
O ser humano possui muitas fontes de certeza, que não só a razão. A vida ensina muito mais a uma pessoa para além dos meros teoremas formais; a experiência é, pois, determinante para a qualidade dum julgamento.
Com a idade, ficamos mais flexíveis e misericordiosos. É pouco frequente ver um jovem tolerante, compassivo, respeitador da filigrana sentimental que nenhum método exacto apanha, bem como o discurso.
Numa palavra, a sabedoria não é própria da juventude. Trata-se de um conhecimento que não está virado apenas para a acção exterior, mas também para as pregas interiores e silenciosas da alma, onde a intenção livre originou a falta a julgar.
Acresce a tudo isto o seguinte: ser juiz não pode derivar numa profissão individual com interesses de carreira privada. Trata-se de um serviço público - e até se pode ir mais longe, considerando o juiz como um representante simbólico da Justiça transcendente objectiva, mesmo sem acreditar em Deus.
O Direito moderno, positivista, pôs toda esta base por terra, confiando na simples razão legisladora e deliberante. O juiz foi entendido como aquele que aplica a lei prevista a um determinado caso, com a frieza de um computador.
Os juízes da Alemanha nazi fizeram o seu papel de consciência tranquila, tal como o fazem actualmente os juízes pós-modernos, que adequam leis abjectas a factos desumanos." - Mário Cabral in Diário Insular




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

Maranatha (47)

VI. JUSTIÇA E DEFESA

1. O INFERNO

"John Adams, o segundo presidente dos EUA, agradeceu à religião cristã a doutrina sobre o Inferno. Sem ela, o Estado teria de conceber um sistema para punir todos os vícios, não só os públicos como também os privados.
Era iluminista, mas ainda muito lido, ao contrário dos políticos de hoje que, na sua ignorância, recusando o Inferno, transformam a cidade num lugar tenebroso, onde campeia a corrupção e a privacidade é regida por leis públicas demoníacas.
Se o Inferno não existisse, teria de ser criado pelo governante sensato. Sem ele, não há uma efectiva concretização da Justiça. Não por acaso, génios do pensamento, como Platão e Pascal, o pressupuseram. Não se trata duma questão exclusiva da fé. Há razões válidas, do ponto de vista da lógica e das evidências, para concluirmos pela existência dum lugar onde os maus serão castigados.
Algumas destas razões estão muito presentes no nosso dia-a-dia. Quando a Justiça é assunto apenas humano, depressa cai no lamaçal em que andam muitos julgamentos portugueses, com o povo a desconfiar dos trâmites legais, o que é muito grave. A noção de justiça é inata à nossa natureza e, como tal, está antes e para além do direito positivo. Exige que os tiranos e os corruptos, que muitas vezes escapam aos tribunais, sejam punidos, num mundo com regra e com lógica, que não seja dominado pelos políticos.
Para além disso, há uma tendência perversa para racionalizarmos o mal que fizemos, de modo a que apareça como um bem coerente e até desejável. Vamos ao ponto de fazer leis que favorecem o mal. Deste modo, ninguém se corrige e todos se emporcalham.
Em Maranatha, as criancinhas aprenderão as torturas do Inferno, para se inclinarem para a luz do Bem." - Mário Cabral in Diário Insular

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Prof. João Cantiga Esteves de novo no Plano Inclinado


Neste programa o Prof. João Cantiga Esteves levanta uma questão interessante: se somos diferentes de Espanha, por não termos tido um bolha imobiliária, e diferentes da Irlanda, por a nossa banca não ter sido afectada pelo subprime, então porque nos afectou tanto a crise financeira internacional? Desconfio que a resposta se chama Crise Estrutural Endémica, alimentada por décadas de Socialismo e, ultimamente, por Sócrates, O Malabarista.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cactaceae felis silvestris catus


Maranatha (46)

V. EDUCAÇÃO

10. VIDA DE ESTUDANTE

"Alda acorda às seis da manhã, de Segunda a Sábado. Numa hora tomará o pequeno-almoço, dará de comer aos cachorrinhos, fará a cama, tomará duche, vestirá o uniforme.
A mãe ajuda-a, pondo a mesa. Ama a filha, chegada depois de quatro machos; consola-se a olhá-la: alta, alva e garbosa no azul da farda que lhe vai tão bem. Sorri.
Ao bater das sete, Alda está a entrar na igreja. De soslaio, procura Estêvão na ala dos rapazes, sem saber que ele seguira a desenvoltura do seu avançar pela nave principal.
O serviço termina por volta das 7:30. Elas e eles saem para lados diferentes do templo. Às oito, em ponto, toca para dentro. Voltarão a estar juntos ao meio-dia, quando vierem agradecer o desenrolar da manhã.
Hoje a primeira hora é ocupada com Biologia, disciplina preferida de Alda, que pensa ser veterinária. Entusiasma-se com o estudo das leis da Natureza, harmonia pré-estabelecida de tudo.
Depois do almoço, pelas 13:30, cada aluno vai para a sua oficina, aprender o ofício prático que escolheu, de acordo com o sexo. Alda borda com perfeição; quando passa pela oficina do ferreiro, mira Estêvão lá dentro, na penumbra.
16:30: voltam ao liceu, para a ginástica. As tardes desportivas são à Quarta-feira. Ela é campeã em andebol, mas também anseia pelas tardes de Sexta, destinadas a pesquisas várias: na biblioteca, nos gabinetes dos professores a preparar trabalhos, etc. Melhor só o Sábado, quando vão fazer visitas de estudo ou assistir a palestras e concertos.
«Sou feliz», pensa, quando volta a entrar na igreja, às seis, cabelo molhado, exausta do jogo, procurando-o com olhos furtivos.
Estará a seu lado no ensaio da filarmónica, onde o conheceu.
Ele toca, ela fecha os olhos.
«Sou feliz»" - Mário Cabral in Diário Insular

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ernâni Lopes - 1942/2010

Ainda há portugueses que merecem uma homenagem quando partem e Ernâni Lopes é um deles.
Nunca foi um boy do sistema. Quando foi ministro conseguiu a simpatia dos portugueses, apesar do que à época teve de fazer.
Pessoalmente recordo as muitas vezes que o encontrei no metro em Lisboa, quer enquanto ministro, quer enquanto quadro do Banco de Portugal. Era impossível não o ver, já que invariavelmente era a pessoa mais alta da carruagem.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Presidente da CAP, João Machado, no Plano Inclinado


Um programa diferente, sobre um tema a que se dá pouca atenção: agricultura. Como sempre, vale a pena ver ou rever.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um filme já visto

"Em suma, ao todo, as Flores e o Corvo ficam servidas por 16 altos responsáveis na área da saúde, para gerir duas unidades, servidas por cinco médicos, um na ilha do Corvo e quatro na ilha das Flores." - in RTP-A
Esta notícia, na sequência de outras que envolveram demissões que todos conhecemos em S. Miguel, as reacções de Carlos César à notícia da bolsa de estudo do filha da Secretária Regional e ao facto de a RTP-A ter interrompido a transmissão do seu discurso na ALR na passada semana, são péssimos sintomas que deviam deixar-nos todos preocupados com a saúde do regime na Região. Os rumores de demissões na RTP-A, a confirmarem-se, virão confirmar que algo está muito mal.
Continuo esperançado que, em 2012, César seja magnânimo e parta pelo seu pé, como Mota Amaral fez em 1996.

domingo, 28 de novembro de 2010

Maranatha (45)

V. EDUCAÇÃO

9. TEOLOGIA

"Hoje, ninguém sabe ao certo para que serve estudar. As respostas dadas não satisfazem, para além de soarem a insulto às disciplinas em questão.
Veja-se a Matemática. Quem é que estuda matemáticas puras, hoje em dia? O candidato a Medicina toma-a como um xarope, que odeia. E Medicina? Quase sempre é o meio para ter casa com piscina. As Humanidades são refugo de medíocres.
Uma pessoa compreende logo que barriguinha cheia e poucos baldões não é suficiente para a alma humana. Assim, a questão não fica resolvida, na prática.
Isto começou no século XVII, quando os empiristas decidiram que a Natureza não tende para um fim. Ora, tal era uma certeza evidente da filosofia antiga: que as roseiras tendem a dar rosas, os sapos sapinhos - e que o Homem procura a felicidade.
Aprender é uma viagem. Quando se parte convém saber para onde nos dirigimos. Se não for assim, vaguearemos, ao sabor da onda, entusiasmados com o modo como isto e aquilo funciona, durante uns tempos, como as crianças que descobrem um jogo novo.
O problema sério e de fundo do Conhecimento actual é o seu esboroamento, que não traz felicidade a ninguém. Não admira que os professores doutores acreditem na astrologia e consultem a bruxa.
Aristóteles definiu a Teologia como o horizonte da Ciência verdadeira; foi levado pela razão, não pela fé. No séc. XIII, São Boaventura descreveu o Itinerário que dá sentido ao trajecto da Sabedoria; e no séc. XXI MacIntyre chegou à mesma conclusão.
Em Maranatha teremos só um tipo de Doutoramento: em Teologia, seja qual for a área do saber, funcionando este como o pi para a matemática, ou seja, como a irrecusável presença do simétrico e do harmonioso, da Beleza Inteligível por toda a parte." - Mário Cabral in Diário Insular

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Proposta para o Natal

Uma excelente proposta para as compras Natal, encontrada aqui. Higiénica, ecológica e saudável.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma intervenção anunciada

"O objectivo é reduzir o défice para três por cento do PIB.(...) Para chegar a esses objectivos pretende-se avançar com medidas como a redução do salário mínimo em um euro por hora, passando o valor a ser de 7,65 euros, e o corte, não especificado, de 24.750 postos de trabalho na função pública, segundo avançou a BBC.(...) Ao mesmo tempo, está planeado uma subida do IVA, faseada, que será de 22 por cento em 2013 e de 24 por cento em 2014, e um novo imposto sobre a propriedade." in Público
Uma amostra do que nos espera a muito curto prazo. Para os que ainda não acreditam, convençam-se que hoje somos todos precários.

Chamem o FMI (15)

"PS alterou o OE/2011 para excluir os grupos parlamentares dos cortes da função pública, alegando que essa redução será feita através da lei de financiamento." - in Diário Económico
Na sequência do post anterior, a propósito de uma notícia idêntica, enquanto o aperto não tocar a todos, Sócrates sabe onde deve enfiar o seu apelo ao esforço nacional. Comigo não conta.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Chamem o FMI (14)

"O PS conseguiu hoje aprovar uma alteração à norma dos cortes salariais nas empresas públicas com maioria de capital do Estado e entidades públicas empresariais, abrindo a porta a "adaptações" desde que autorizadas e justificadas "pela sua natureza empresarial"." - in Público
Enquanto o PS e o Governo usarem expedientes como este, que só vêm provar que a austeridade não é para todos, quero que o mentiroso do Sócrates, o incompetente do Teixeira dos Santos e os ridículos Jorge Lacão e Silva Pereira (para  referir apenas a fila da frente da plateia governamental) enfiem os apelos ao esforço nacional pelo seus rectos burgueses acima.
O PSD, abstendo-se em coisas destas, permitindo a sua aprovação quando tem pretenções a governar a curto prazo, está a começar a dar um péssimo sinal. É por coisas destas que ainda existem cerca de 30% de portugueses eleitores dispostos a dar o seu voto a indivíduos como o Sócrates.

O Serviço Nacional de Saúde no Plano Inclinado


Com o Prof. Manuel Antunes, Director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais Universitários de Coimbra. Importante ver, ou rever, para percebermos o que vai mudar, quer queiramos ou não, no tão mal tratado Estado Social.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Descida de divisão?

"O deputado Berto Messias foi eleito, esta terça-feira, Presidente da bancada do PS/Açores na Assembleia Legislativa, liderando uma direcção parlamentar composta pelos vice-presidentes José San-Bento, Hernâni Jorge e Francisco César." - in Azores Digital
Devo dizer que me é indiferente quem é o líder do grupo parlamentar do PS-A, ou mesmo quem o integra, pois não me sinto representado por qualquer dos seus deputados.
Apesar disso, a saída de Hélder Silva de líder do grupo parlamentar, que enquanto deputado tinha um estilo de que não gostava, soa-me quase a uma descida de divisão ou, no mínimo, a terem passado a jogar com o banco por impedimento dos titulares.

sábado, 20 de novembro de 2010

Maranatha (44)

V. EDUCAÇÃO

8. CASULO DA LIBERDADE

"Agora tornou-se moda falar das "escolas abertas ao meio". Tem-se por um bem que a escola leve em conta a circunstância sociopolítica. Fica-se alegre se a câmara do comércio ou o município financiam prémios ou promovem outras facilidades suspeitas. Pela mesma porta entram os encarregados de educação, muitas vezes a decidir para além das suas competências. E há os currículos regionais. E há a televisão, seguida como modelo pedagógico rei, só deposta pela Internet, a valer mais do que a biblioteca.
A escola está refém do meio.
Não vai ser assim em Maranatha, onde as escolas vão funcionar como casulos de liberdade, "Abre-te Sésamo" de emancipação total. Nenhum interesse as vai prender à realidade tal e qual ela é - sendo que isto não significa um conflito, antes, em bom rigor, o contrário: uma cultura forte admira a escola e uma escola séria não provoca a cultura.
A pessoa humana é o único ser vivo que é capaz de ultrapassar os limites do seu tempo e do seu lugar, através dos voos espirituais da liberdade. O estudo sério abre as portas do infinito, que começa na alma. Por outro lado, a vida vai levando, com frequência, uma pessoa a especializar-se e, portanto, a reduzir estes horizontes. Não se trata de um mal, em si, se houver o contraponto, espécie de intervalo que contextualiza o caminho de cada um no tecido universal.
O meio domina a escola quando a obriga à utilidade técnica e corriqueira, circunscrita ao aqui e ao agora. Deste modo, cegam-se os alunos; formam-se escravos, mesmo que licenciados.
O trabalho é um bem inestimável, desde que não funcione como alienação, reduzindo a natureza humana, como naquele filme de Charlie Chaplin, bem denominado "Tempos Modernos"." - Mário Cabral in Diário Insular

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que seria deles...(7)

"Um jovem de 26 anos, sem currículo profissional nem formação de nível superior, foi contratado, em Dezembro, como assessor técnico e político do gabinete da vereadora Graça Fonseca na Câmara de Lisboa (CML). Remuneração mensal: 3950 euros ilíquidos a recibo verde. Desde então, o assessor - que estava desempregado, fora funcionário do PS e candidato derrotado à Junta de Freguesia de Belém - acumulou esse vencimento com cerca de 41.100 euros de subsídios relacionados com a criação do seu próprio posto de trabalho." - in Público
Aqui está um exemplo de um empreendedor que devia ser levado às escolas para, nas aulas de empreendedorismo, explicar aos alunos como ter êxito.

domingo, 14 de novembro de 2010

Um blog a seguir...

Depois espero poder dizer adeus a esta personagem. Já basta ter de lhe pagar a reforma.

Batemos no fundo

"Timor-Leste disponível para comprar dívida portuguesa " - in Público
E ainda há 30% de eleitores que pensam em votar no Sócrates.

sábado, 13 de novembro de 2010

Pupilos do Exército no Portugal em Directo, da RTP1

A caminho do primeiro século de existência, a minha escola foi um dos temas de reportagem no Portugal em Directo, da RTP1 (parte 1 e parte 2).
Tal como na sua fundação em 1911, volta a ser uma escola inovadora e na vanguarda. A que vi na reportagem é muito diferente da escola que eu conheci nos dez saudosos anos que lá andei. Diferente, não pior. Confesso que foi com emoção e agrado que vi duas meninas, as primeiras, a usar a nossa farda nº 1 (calça, dólmen e barrete). Espero voltar a vê-las, a desfilar garbosas, com a nossa farda de gala (calça, dólmen, granadeiras, arreios e barretina) de arma ao ombro. São sinal promissor de futuro.
Gostei também de ver o meu amigo António Pinto Pereira, distinto advogado que dispensa apresentações, a representar as gerações mais velhas.

Maranatha (43)

V. EDUCAÇÃO

7. MEMÓRIA, ENTENDIMENTO E VONTADE

"Em Maranatha não permitiremos o uso de máquinas calculadoras até ao secundário, pelo menos; nem de outra qualquer máquina que possa perigar o sério desenvolvimento das aptidões naturais do ser humano.
Há um novo-riquismo intolerável no uso de Magalhães, nos sumários feitos por computadores em rede e quejandos. Não teremos nenhum pudor em usar as novas tecnologias sempre que se justificar a excelência pedagógica - por exemplo, uma aula de Geografia ganha muito com um quadro multimédia ligado à Internet.
Não é disto que se está a falar. Está-se a falar da completa ignorância moderna acerca da psicologia humana. É óbvio que a memória é uma capacidade que se desenvolve milagrosamente nos primeiros anos de vida, ao contrário da inteligência e da criatividade, que vêm com o tempo, quando vêm.
As crianças têm um grande gosto em decorar lengalengas, tabuada e coisas afins. É a altura certa para saberem de cor gramática, regras de lógica, nomes de rios e de países, orações, etc.
Os antigos sempre souberam que a inteligência não pode funcionar sem os dados que estão gravados na memória. Os snobs dos modernos olham com desdém para o "marranço" e enchem a boca com palavras tais como "originalidade", "criatividade"...
Esperemos sentados. Dão-se alvíssaras aos génios que saiam das escolas actuais.
E a nossa terceira frente de batalha será a vontade, tão esquecida no ensino de hoje que até mete impressão! Em Maranatha não vai ser como agora, onde cada um decide fazer o que quer, quando quer, do modo que bem entende. Conclusão: ninguém faz quase nada.
A vontade é o freio do desejo. Teremos regras para serem cumpridas à risca: horários, réguas, esquadros, mapas, planos, códigos deontológicos." - Mário Cabral in Diário Insular

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O que seria deles...(6)

"Paulo Campos teve entre 1994 e 2002 uma empresa de produção de espectáculos (chamada Puro Prazer). O negócio acabou por fechar, mas - de acordo com a Rádio Renascença - a entrada no governo permitiu ao actual secretário de Estado adjunto das Obras Públicas dar emprego aos seus antigos sócios. E foi nos CTT, que estão sob tutela de Paulo Campos." - in i
Aos que acham que para os políticos não se deve exigir mais que a responsabilidade política, pergunto se isso é suficiente para casos como este.
Afinal, o que seria deles sem o bom e velho Estado?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ângelo Correia no Plano Inclinado


Lembram-se de Ângelo Correia do tempo do Golpe de Estado dos Pregos? Que diferença. A idade, de facto, faz bem a certas figuras da política. Vale a pena ver e ouvir.

domingo, 7 de novembro de 2010

Maranatha (42)

V. EDUCAÇÃO

6. MESTRES E DISCÍPULOS

"Em Maranatha não vai haver professores. A pessoa mais pura de todas está muito vulnerável quando ganha a vida para ensinar. Sabemos isto desde os sofistas.
Por outro lado, alguém imagina Sócrates a receber dinheiro? E Buda? E Jesus Cristo?
A Verdade não se compra nem se vende. O verdadeiro acto de ensinar é comparável ao de criar um filho; o dinheiro é um insulto neste tipo de relação.
Utopia, dirão. Nem por isso: na América, as pessoas aprendem a conduzir umas com as outras e, depois, vão a exame. Por cá, ainda temos catequistas.
Em Maranatha, os seis anos de escolaridade obrigatória serão leccionados pelos pais, pelo Senado ou pelo clero. Nenhuma destas pessoas tem interesse material que choque com os rigores da passagem do espírito.
Depois, quem quiser continuar estudos secundários em Humanidades, seguirá para o liceu, onde os padres darão aulas. Os homens do Espírito têm todo o interesse em divulgar a Verdade; ao invés, os professores estão no século, enredados em relações práticas.
Quem quiser ser arquitecto, carpinteiro, médico ou sapateiro, procurará as respectivas ordens, que zelarão pelas suas escolas, destacando associados para a função de reproduzir a alta qualidade de cada ofício. Um médico que dá aulas de Anatomia não é um professor.
Algo muito semelhante funcionou com os ateliês da antiga Europa, antes de haver escolas de Belas-Artes. O mestre de Leonardo aceitou o pequeno aprendiz para lavar os pincéis. Quem se atreve a afirmar que os ateliês de pintura funcionaram pior do que as escolas actuais de Arte?
Os discípulos vão escolher os seus mestres conforme a fama deles, não por certificados; portanto, admirá-los-ão, amá-los-ão. Magister dixit voltará a ser a lei." - Mário Cabral in Diário Insular

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dr. Manuel Lemos (Presidente da Associação das Misericórdias) no Plano Inclinado


Vale a pena ver ou rever.

2 anos depois

Publiquei o primeiro post neste blog há 2 anos. Num dia particularmente longo, como tem sido também o de hoje.
Para além da comum sensação da rápida passagem do tempo que a data provoca, a grande aventura que as 21 491 visitas proporcionaram tem sido o contacto com outros bloggers e também com muitos anónimos. A todos um grande obrigado.