sábado, 13 de junho de 2009

Depois

Após duas horas de tosquia, onde se portou como gente grande, este é o novo visual do Bob. Só falta o banho, que será hoje.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Anúncio

"Apareceu à minha porta um cão que não devolverei a quem quer que reclame ser o seu o dono sem pingo de vergonha, que o abandonou permitindo que tenha o aspecto que é visível na foto."

O Bob (os miúdos rebaptizaram-no por causa das "rastas") já tem tosquia marcada para amanhã (terá direito à foto do "depois").
Os antigos donos provavelmente a esta hora apanham sol nalguma tourada ou em alguma praia distante, gozando umas férias que não merecem. Que fiquem por lá. E ainda reclamam salários iguais aos alemães. Aprendam primeiro a ser gente. Labregos.

Porque ontem foi 10 de Junho




Porque com as eleições europeias os nossos problemas não desapareceram, porque vêm aí mais duas eleições importantes, porque a situação de crise é muito mais grave do que nos querem fazer crer (e na região está tudo a passar-se de uma forma surda, que mais tarde ou mais cedo vai estourar), acho que devíamos estar a entrar num período de reflexão individual e colectiva e não de Santos Populares e férias, quantas vezes imerecidas (já estivemos mais longe de férias deixarem de ser um direito adquirido e passarem a ser um direito a adquirir ano a ano em função do que cada um produz).
Andamos agora todos em busca de razões que expliquem a elevadíssima abstenção, nacional e regional, recorrendo a raciocínios mais ou menos rebuscados, sempre assentes nas lógicas partidárias que nos têm governado.
Em minha opinião parte dela, pouca, poderá ser devida a descrédito no sistema e poderá ser entendida como um protesto, tendo por isso as mesmas causas dos votos em branco.
A restante, em minha opinião a maioria, reflecte o país adormecido, medíocre e cúmplice em que nos tornámos (este é um bom retrato), habituado a que o Estado e o sistema tome conta de nós, onde não é exigido esforço, tomando por certo o que, quer queiramos quer não, se tornou precário.
O Mundo mudou, como mudou com o Renascimento ou com a Revolução Industrial. A História encarregar-se-á de dar nome a estes novos tempos. Quanto mais cedo o interiorizarmos mais cedo voltaremos a encontrar o nosso lugar enquanto país.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Porque hoje é 10 de Junho



Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

(a excelente foto foi obtida n'O Jumento)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Parabéns!

Com a bela idade de 75 anos, o Pato Donald continua em forma. Obrigado por todas as deliciosas horas aos quadradinhos que me proporcionaste.

Uma tecnologia que desactiva explosivos

É sempre saboroso saber que temos bons mestres. É o caso do Prof. José Carlos Góis, um dos docentes da cadeira SIII - Segurança ao Incêndio em Instalações Industriais do MSIU que frequento na UC/LNEC, envolvido neste projecto de investigação agora premiado na Alemanha.
Parabéns Professor.

Hummer ou 蜂鳥

Mais um dos símbolos da América que passou para mãos chinesas (a empresa privada chinesa Sichuan Tengzhong Heavy Industrial Machinery).

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições Europeias 2009 (1)

Nada de novo mais uma vez.
Cumpre-se a alternância em torno do Centrão para que tudo continue mais ou menos na mesma. O PCP teve mais uma vitória (como sempre) e o CDS está de novo em condições de, no curto prazo, ser a solução para que seja viável um governo estável (seja com o PS seja com o PSD).
Duas notas negativas:
- a abstenção: é preocupante e prova que temos o que merecemos quer no que toca a dirigentes, quer no que toca a partidos; continuamos longe de deixarmos de ser o país de labregos em que Salazar nos tornou;
- os resultados do BE: não fosse o facto de se tratar, em minha opinião, de uma questão conjuntural, seria levado a questionar-me sobre o que leva tanta gente a dar o seu voto a um grupo de burgueses bem nutridos, que têm a mesma relação com o trabalho que eu tenho com a alta finança, ou seja, nenhuma.

Novo CD de Mayra Andrade (1)

É hoje às 21.00 horas no Centro Cultural de Belém, Lisboa. Pena as eleições, prazos e trabalho. Tinha sido tempo bem empregue.

sábado, 6 de junho de 2009

Eleições Europeias 2009

Amanhã quando forem 8.00 horas estarei a voar de regresso à minha ilha a tempo de ir votar, direito de que não abdico enquanto cidadão contribuinte. Faço-o ainda por respeito e gratidão por quem tudo deu para que este acto se tornasse possível.
Como já havia escrito em post anterior sei em quem não vou votar. Por isso o meu voto ou irá para uma das forças políticas actualmente sem representação parlamentar ou votarei em branco. Decidirei sobre o Atlântico (Oh mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?).
Hoje não me sinto representado por qualquer um dos partidos parlamentares. Os males de que o país sofre têm tempo demais, tanto quanto aqueles partidos se revezam entre o poder e a oposição.
Como acho que não é o país que tem de mudar, mas quem pretensamente nos representa e os partidos por onde se arrastam há mais de trinta anos, ou mudam ou não têm o meu voto, para já em eleições europeias e legislativas.
Estou farto de sentir que ando a perder tempo em Portugal.

Flashover!


O flashover corresponde ao ponto da curva da combustão no qual se atingem temperaturas suficientemente altas para inflamar os gases quentes que se acumulam junto ao tecto de um compartimento de incêndio. Quando o fenómeno é controlado, as chamas percorrem o tecto lentamente em movimentos quase sedutores escondendo o perigo que encerram, pois olhamos olhos nos olhos uma reacção química a decorrer a temperaturas acima dos 600 ºC.
Já tive oportunidade de assistir a este fenómeno nas mesmas condições das do filme e foi das coisas mas assustadoramente belas que vivi em toda a minha vida. É simplesmente obrigatório para quem se interessa pelos fenómenos ligados ao fogo.

Desse memorável dia não há filme mas há esta foto para a posteridade.

6 de Junho de 1944: dia D

Neste dia iniciava-se a libertação de grande parte da Europa do jugo nazi, com o sacrifício generoso de milhares de homens das tropas aliadas. Ficou por libertar a Península Ibérica, que teve de esperar mais 30 anos pela democracia. Grande parte da Europa de Leste iria mergulhar noutra época de trevas de onde só iria sair a partir de 1989.
(foto tirada daqui)

PECADOS CAPITAIS (18)

4. A INVEJA

4.1. A INVEJA EM SI

"Deixou de se falar na inveja, como se fora fedor em vias de extinção. Mas a inveja continua tão insidiosa como sempre, de espuma verde ao canto da boca, olhos raiados de sangue; dissimulada e muda.
É uma das piores deformações de carácter, o que se comprova pelo facto de ninguém assumir tê-la. O preguiçoso pode brincar com o seu defeito, o avarento e o lascivo inverter os valores com cinismo; e o orgulhoso ter gosto nesta imperfeição – mas o invejoso esconde-se no escuro, como se tivesse lepra.
Na verdade, a inveja mata mais que a lepra.
Ao contrário dos demais vícios, que têm o seu epicentro na própria pessoa, a inveja está voltada para os outros desde o início, tal seta envenenada que parte em busca da morte sem, muitas vezes, qualquer proveito, para além do gosto perverso de aniquilar o brilho alheio.
Trata-se duma corrupção do amor como, aliás, acontece com outros pecados. É assim que a inveja é aparentada com o ciúme; porém, o ciúme é um sentimento aceitável, enquanto prova da exclusividade natural do amor – é visível no reino animal (dois cães são ciumentos do seu dono); e, no caso humano, não costuma abafar a excelência do amado, a não ser em casos excepcionais. Diz o ditado: «Quem tem ciúme quer bem». Mas a inveja jamais chega a querer bem.
Este é um fosso inultrapassável entre o ciúme e a inveja: aquele desenvolve-se dentro do acto amoroso; esta cresce fora dele.
O invejoso é cego para si próprio. Como todos nós, quer ser amado, mas só vê qualidades nos outros; a seus olhos, nada em si é digno de mérito. Contas feitas, odeia o amador e a coisa amada, colocando-se como carta fora do baralho. E sofre.
O maior crime do invejoso acaba por ser este suicídio no gelo." - Mário Cabral in Diário Insular

quinta-feira, 4 de junho de 2009

20 anos depois

Foi há 20 anos.

A Polónia elegia um primeiro ministro não comunista, com os olhos postos na fronteira à espera da entrada dos tanques soviéticos que nunca chegaram, precipitando o que, em minha opinião, é um dos acontecimentos mais importantes da História da Europa: a queda do muro de Berlim.

Na mesma data acontecia um massacre numa Praça de Pequim que ironicamente tem o nome de Paz Celestial (Tiananmen).

Linhas de crédito disponibilizadas pelo GR são um excelente negócio...para a banca

As linhas de crédito aprovadas a 16 de Janeiro e disponibilizadas pelo Governo Regional nunca me convenceram e não me enganei.
Logo à partida porque quem optou por pagar salários em lugar de impostos ficou excluído.
Depois os processos são lentos, demorando em média cerca de 5 meses, e o pedido de documentação é feito a conta-gotas, método tão ao gosto português de nunca pedir tudo de uma vez e fazer o contribuinte perder tempo e sanidade mental.
Se a ideia era dar liquidez à tesouraria das empresas, essa ilusão dissipou-se quando alguns bancos aproveitaram a Linha de Crédito de Apoio à Reestruturação de Dívida Bancária para saldar as dívidas que as empresas tinham em Contas Correntes Caucionadas cancelando-as de seguida.
Ou seja, a banca resolveu ao seu problema e as empresas ficaram com um problema de falta de liquidez ainda maior, já que os prazos de pagamento pioraram e eram precisamente as CCC que, apesar de custarem os olhos da cara, iam permitindo ter alguma tesouraria.
Consequência: a linha Açores Investe que deveria destinar-se a investimento, logo a estimular de alguma maneira o mercado interno, vai ter de servir para tesouraria e o investimento ficará para melhores dias.
Para as empresas fica tudo pior porque se endividaram um pouco mais e continuam sem liquidez.
A banca fez um excelente negócio para resolver a sua falta de liquidez, vai cobrar juros, cobra um spread que é um roubo, tem a maior parte do montante das linhas garantidas por aval do GR e não põe crédito na rua.
Simplesmente brilhante.
Cada vez me convenço mais que é uma injustiça o Oliveira e Costa estar preso sózinho.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

PECADOS CAPITAIS (17)

3. A LUXÚRIA

3.7. CASTIDADE E VIRGINDADE

"Ambas dependem do amor e relacionam-se como irmãs gémeas.
Desde a Grécia (Empédocles) que o amor é visto como a força motriz de toda a natureza, ao contrário de Darwin. A luta pela sobrevivência separa os seres uns dos outros e, portanto, contradiz a vida e a sociedade.
O amor é a excelência da relação. Atinge o máximo natural entre os humanos. Amar é encontrar a felicidade na entrega absoluta a outrem, revelado na plenitude do seu ser. Quando a alma atinge este estado sai do tempo e do espaço e é por isso que se diz: «Quem feio ama bonito lhe parece». É também por isso que o amor implica a reprodução, vendo os pais em seus filhos a eternidade. A própria palavra o declara: “a-mors” é “negação da morte”.
A luxúria não é esta entrega; é consumo. Mata a pessoa porque lhe rouba o infinito e, pois, a liberdade. Tranca-lhe as portadas, transforma o corpo em matéria bruta. É imoral.
Ao invés, a castidade é a ponte oferecida para que alguém seja, finalmente. Se não houver amor, não há pessoa: a palavra grega “prosopon” e a latina “personare”, étimos de “pessoa”, confirmam: “olhar para”; “falar com”.
Sem amor o sexo é um insulto. O amor é único e exclusivo. O amor visa a reprodução e a família. A castidade é a estrada indispensável deste processo.
Há vários tipos de virgindade. Alguns são imperfeitos, outros pecaminosos. Algumas religiões enjeitam a Vida e trancam o corpo, num caminho autofágico antagónico.
A virgindade perfeita não tem vergonha do corpo. É uma paixão, igual ao casamento; só que a outra Pessoa é transcendente. Os padres usam aliança porque estão casados com a Igreja. As alegrias são idênticas às dos casais; e as obrigações.
São dois sacramentos de valor sublime." - Mário Cabral in Diário Insular

Deputado socialista recebeu em S. Bento Movimento Cívico IVA com recibo

"No âmbito da petição entregue pelo Movimento IVA com recibo, a Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República recebeu no Palácio de S. Bento alguns promotores do movimento.

A Comissão de Orçamento e Finanças, representada pelo deputado socialista Victor Baptista, reuniu-se com seis peticionantes a fim de clarificar os objectivos pretendidos expostos pelo Movimento Cívico IVA com recibo. Na reunião o deputado Victor Baptista ouviu os argumentos e as propostas apresentadas pelo movimento, bem como o seu enquadramento jurídico na aplicação destas em Portugal.

Victor Baptista afirmou no decorrer da audição que «as empresas deveriam procurar vender apenas para aquelas que pagam atempadamente, e que o actual executivo não tem condições para realizar a alteração solicitada pelo Movimento». Por fim assegurou: «as sugestões recolhidas serão incluídas no meu relatório e naturalmente que irei sensibilizar o sr. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para algumas delas».

Após esta audiência, de carácter obrigatório no âmbito da Lei do Exercício do Direito de Petição, a Comissão de Orçamento e Finanças deverá elaborar um relatório final no prazo de 60 dias, que deve incluir a proposta de medidas pertinentes. O relatório redigido por Victor Baptista será enviado ao Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e analisado pelos restantes membros da Comissão de Orçamento e Finanças que não puderam estar presentes.

Segundo Sofia Santos, coordenadora da Movimento, «Esta audiência foi constrangedora, uma vez que os peticionários não foram recebidos pelo verdadeiro espírito da democracia e da pluralidade. Evidenciou a falta de interesse que os vários grupos parlamentares têm para com um dos maiores problemas das PME, apesar do PSD e PP defenderem publicamente que o IVA deva passar a ser devido após a emissão do recibo».

A petição para a alteração da data de exigibilidade do IVA, para que este passe a ser devido ao Estado apenas após o recebimento e não após a emissão da factura, foi entregue, dia 4 de Novembro, na Assembleia da República assinada por 10 077 peticionantes.

O número de subscritores, conseguido em apenas três semanas, é bastante significativo e ganha mais proeminência no actual contexto de crise económica e de graves problemas de tesouraria.

O Movimento IVA com recibo aguarda agora os resultados desta audiência manifestando um claro interesse de que «esta questão seja levada com mais seriedade do que até ao momento», concluiu Sofia Santos .

Nesta audiência estiveram presentes, em representação de todos os peticionantes, os seguintes promotores: Sofia Santos, da Sustentare e Coordenadora do Movimento; Pedro Luiz de Castro, da Primeira Imagem, Gabriel Corte-Real Goucha, Associação PME Portugal; Armindo Silva Fernandes, Administrador da Fiofibra; Miguel Faria, da X-Fios e Silvino Sousa, da Normax.
"

Comunicação para a imprensa recebida por mail em 2009/05/27. Os aspectos negativos da audiência estão explicados na nota de imprensa. Aspectos positivos encontro um: já sei em quem não vou votar em eleições europeias e legislativas de hoje em diante, ou seja, em qualquer um dos partidos representados na Assembleia da República.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

98º Aniversário do Instituto Militar dos Pupilos dos Exército

Trinta e cinco anos depois de ter passado pela primeira vez esta Porta de Armas e vinte e cinco anos depois de a ter transposto para o Mundo sem lá voltar, fiz um regresso às origens.
Atravessei a Parada, voltei a saborear a comida do internato, percorri os espaços que foram meus durante dez curtos anos, revi amigos e irmãos com os quais retomei as conversas que havíamos deixado a meio há 25 anos como se tivesse sido ontem, voltei a cantar o nosso Hino sentindo desta vez um arrepio maior que o costume e tentando matar um lágrima no canto do olho.
Não podemos fugir do que somos e eu sou filho desta "casa tão bela e tão ridente" até ao ao último dia da minha vida.

domingo, 24 de maio de 2009

Sabores do Jazz

Hoje completam-se 1000 edições do Sabores do Jazz, programa que já tem a bela idade de 17 anos na RDP-Açores. Parabéns Ribeiro Pinto.
(imagem tirada daqui)

PECADOS CAPITAIS (16)


3. A LUXÚRIA

3.6. A DECADÊNCIA NA MODA

"Há quem acredite no bom selvagem. Para estes, o corpo nu é natural e belo. Entram em paradoxo porque o corpo é uma construção cultural e o conceito de beleza física que hoje domina é histórico e, por conseguinte, artificial. A lolita e o cowboy são discutíveis modelos de Humanismo.
Há quem não acredite no bom selvagem. Para estes, é o convívio social que dá ou tira a nobreza dos comportamentos, que se reflectem nas boas maneiras, entre elas o modo de vestir.
A roupa não tem de sublinhar o corpo e este ser motivo de provocação sexual. A moda também já serviu para revelar o estatuto social e evidenciar o espírito. Quando o elogio da carne suplanta o entendimento cresce a violência e a morte.
A moda entrou em decadência quando começou a reflectir os desleixados pressupostos esquerdistas de Maio de 68. O revivalismo das últimas décadas põe às claras o vazio de ideias derivado do relativismo cultural, sem princípios morais. Que valores estão presentes na moda actual? Entre outros: a preferência por culturas inferiores, nas tatuagens e piercings; o desconstrutivismo feroz dos cabelos sem pente; o elogio explícito do bacanal, ao trajar na rua com roupa íntima; a sujidade e delinquência das calças rotas e caídas abaixo da anca.
A mensagem é evidente e deveria ser proibida. Se for avante, derrubará o resto de decência que ainda sobra à cultura ocidental, onde os fatos dos senhores copiavam as fardas dos militares – e não os presidiários; e as senhoras eram prezadas matronas romanas, não mulheres da vida.
Este culto do imoral é feio e macabro. Se quiser ascender às alturas da arte, como apregoa, a moda não poderá ser escrava da luxúria. Por essência, o Belo conduz ao Bem." - Mário Cabral in Diário Insular

quarta-feira, 20 de maio de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

As ameaças de um ministro aflito

Isto é o que acontece quando se é ministro num Estado anafado de um país pobre e de repente descobre que a torneira dos impostos começa a secar. Já estivemos mais longe de acontecer o que sugere este nosso bloger.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rangel com os blogues


Paulo Rangel está hoje em directo na net a partir do Nicola num debate com escritores em blogs. Muito interessante pois podemos colocar questões directamente em alguns dos blogs. Pode ser assistido aqui.
Era interessante algo do género na campanha para as legislativas e para as autárquicas.

Ljiljana Buttler

sábado, 16 de maio de 2009

PECADOS CAPITAIS (15)


3. A LUXÚRIA

3.5. O PRAZER DE ESTAR DOENTE

"Engana-se quem pensa que só há luxúria no corpo saudável. Há lascívia fina em alguns corpos que se comprazem em estar doentes.
Quando não desenvolvemos o desejo inevitável de infinito, viramo-nos para nós próprios, como aqueles cães que buscam desesperadamente apanhar o próprio rabo. À falta de melhor, temos um corpo. Ai, doce comprazimento!
Este mal ataca mais os que têm para cima de quarenta, por razões óbvias: o corpo jovem dá prazer; mas, a partir daquela idade, cada dia acarreta dor nova. Normal é uma pessoa não ligar, sentir a nova dor e esquecê-la, ou rir-se dela, dado que a partir dos quarenta valores mais altos se alevantam. O problema está em que cada vez mais os quarentões procuram desesperadamente fugir à lei inalienável da vida.
Pouco a pouco, as gavetas da cozinha vão-se enchendo de sacos de plástico com pomadas e comprimidos e bombas e um arsenal de nomes que muitos de nós sabem melhor do que se tivessem cursado Farmácia. Passo a passo as conversas vão-se inclinando para esta inflamaçãozita que me apareceu aqui, estás a ver?! Ai, se tivesses esta minha dor de costas! É como quem diz: ainda tenho corpo. Em alguns casos, o gozo é impúdico.
Outro modo de estar doente… é o desespero com que se combate a doença. Não fumar, não beber, não comer nada salgado, não comer nada doce; beber sete litros de água por dia; é a gripe das aves e a das vacas e a dos porcos…há-de vir a dos burros. Se um médicozito se lembrar de dizer que faz mal respirar, deixa-se de respirar e pronto!
O vício começa com dietas, com idas ao ginásio disto e daquilo. Volta e meia vem a moda das orientalices. Dantes, apanhava apenas as mulheres. Os homens usavam farda, ocupavam-se de coisas sérias." - Mário Cabral in Diário Insular

Nova frota da SATA

Parece que foi ontem que os ATP vieram substituir os velhinhos AVRO e também já estão em fim de vida. Só nos apercebemos disso quando os observamos com um pouco mais de atenção. Por isso a notícia da chegada à região dos primeiros dois aviões da nova frota da SATA é uma excelente notícia.
Quantos às promessas de um serviço mais qualificado, é ver para crer, já que os horários e rotas das ligações internas já conheceram dias melhores.

Plataforma da Macaronésia

A proposta foi apresentada na terça-feira, 12 de Maio, por Paulo Estêvão faz todo o sentido, em minha opinião, atendendo a que a entrada de Cabo Verde na União Europeia é inevitável a médio prazo.
Como será a longo prazo a da maioria dos países africanos da bacia do Mediterrâneo.

Santa Maria Manuela

Há alguns dias vi num noticiário nacional uma reportagem sobre o navio Santa Maria Manuela, resgatado dum desmantelamento certo e destinado a ser restaurado em Aveiro.
Através dos blogs Cerro do Cão e Pinturas em Peniche, de dois conterrâneos meus, pude ver um interessante documentário sobre a pesca do bacalhau no qual aparece este navio.
Curiosamente, como é referido no Pinturas em Peniche, este documentário de origem canadiana consta do site da família Patrício, originária de S. Miguel.
São as voltas da diáspora e este admirável mundo novo em que vivemos que nos permite juntar o que a vida tem separado.

Portugal está numa situação "mais vantajosa" para reagir no pós-crise

Será que o ministro acredita mesmo no que diz? A crise mundial fez desaparecer a crise portuguesa? Não me parece. Estou mais inclinado a acreditar em quem diz que depois de resolvida a crise global teremos ainda em mãos a doméstica que está longe de estar resolvida.

Comissão de Orçamento e Finanças recebe Movimento IVA com Recibo

"No âmbito da petição entregue pelo Movimento IVA com recibo, a Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República recebe os promotores do movimento, no dia 21 de Maio, pelas 11h00 no Palácio de S. Bento.

A petição para a alteração da data de exigibilidade do IVA, para que este passe a ser devido ao Estado apenas após o recebimento e não após a emissão da factura, foi entregue, dia 4 de Novembro, na Assembleia da República assinada por 10077 peticionantes. O número de subscritores, conseguido em apenas 3 semanas, é bastante significativo e ganha mais proeminência no actual contexto de crise económica e de graves problemas de tesouraria.

Qualquer petição subscrita por um mínimo de 1000 cidadãos é, obrigatoriamente, publicada no Diário da Assembleia, e no caso de ser subscrita por mais de 4000 peticionantes é apreciada em plenário da Assembleia. Após esta audiência, de carácter obrigatório no âmbito da Lei do Exercício do Direito de Petição, a Comissão de Orçamento e Finanças deverá elaborar um relatório final no prazo de 60 dias que deve incluir a proposta de medidas pertinentes.

Países como a Inglaterra e Itália têm vindo a desenvolver políticas nesta direcção, como forma de combate ao problema de cash flow das PME. Em Portugal é possível, e necessário, alterar a data de exigibilidade do IVA. Neste sentido, o Movimento IVA com recibo obteve uma carta assinada por László Kovács, Comissário Europeu responsável pela fiscalidade, onde este afirma ser possível a Portugal decidir sobre as suas regras internas, e usar esta alternativa de exigibilidade do imposto se apenas aplicável às PME.

De acordo com o estudo recentemente lançado da Intrum Justitia, 25 % das falências de empresa são resultado de atrasos e não pagamentos dos serviços/produtos fornecidos. 77 % dos inquiridos temem um aumento dos riscos de pagamento, mais 37 % que no ano anterior, e cerca de 90 % dizem que estão a receber mais tarde e com mais atrasos. As causas apontadas são as dificuldades financeiras que os devedores estão a enfrentar devido à diminuição das vendas e menor liquidez.

Nesta audiência estará presente um conjunto de promotores em representação de todos os peticionantes:
Sofia Santos, Sócia-Gerente da Sustentare, Lda. e Coordenadora do Movimento
Pedro Luiz de Castro, Sócio-Gerente da Primeira Imagem, Lda.
Ricardo Machado, Administrar da MEC HOLDING, SGPS
Gabriel Corte-Real Goucha, Associação PME Portugal
Armindo Silva Fernandes, Administrador da Fiofibra
Miguel Faria, Sócio-gerente da X-Fios, Lda.
Silvino Sousa, Sócio Gerente da Normax, Lda."

Comunicação para a imprensa recebida por mail hoje. Como a imprensa regional tem praticamente ignorado este movimento cívico, fica aqui a sua publicação integral.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cerca de 18 mil micro empresas encerraram em Portugal desde Janeiro

"Cerca de 18 mil micro empresas encerraram desde Janeiro, deixando no desemprego trabalhadores e donos do negócio. Depois de lhes penhorarem os bens e sem direito a subsídios, muitos empresários procuram salvação nas paróquias. Em Portugal, existem cerca 160 mil micro empresas.(...)
(...) Muitas destas empresas pertencem a jovens licenciados que terminaram os cursos e não encontraram emprego no mercado de trabalho.(...)
(...) É um drama. Neste tipo de empresas há relações familiares ou de quase família. Têm apenas três ou quatro postos de trabalho e por isso criam-se relações muito estreitas que se vão construindo ao longo dos anos, lembra o presidente da ANJE." - in Público
Se cada uma destas empresas tiver em média 3 trabalhadores estamos a falar de 54 000 desempregados, ou seja cerca de 27 Qimondas.
Mas como 3 trabalhadores não dão para fazer uma manifestação, cada encerramento não é notícia nas TV's nem se vêem os sindicatos ou a esquerda a reclamarem qualquer tipo de medidas, nomeadamente fiscais, para estas empresas que são responsáveis por 28 por cento dos trabalhadores activos no nosso país, mais três por cento do que as grandes empresas.
É por causa de números destes que considero os apelos ao empreendedorismo algo que não é para levar a sério.

MOSTAR SEVDAH REUNION

Mostar Sevdah Reunion é uma banda formada em 1998 que junta músicos de Mostar, Bósnia Herzegovina, e executa quase exclusivamente sevdalinka e música cigana. Colabora regularmente com músicos ciganos famosos, como Šaban Bajramović e Ljiljana Buttler, que participam com frequência em espectáculos da banda. Esta é a discografia completa.

O novo hospital de Angra (1)

A propósito do VI Congresso de Cirurgia que decorre em Angra e de na sessão de abertura o Dr. Adriano Paim ter lamentado o atraso que se verifica na construção do novo Hospital, lembrei-me que no início do ano o assunto foi tratado na imprensa e comentado em alguns blogs locais.
Na altura a imprensa noticiava que as obras avançariam em Março, com base numa comunicação do Sr. Secretário da Saúde.
Estamos a meados de Maio e o silêncio é total. Alguém saberá o que se passa?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amigo (1995 - 2009)

Amigo de nome. Amigo de carácter. Leal como poucos humanos sabem ser.

Tribunal aceita pedido de falência da Papelaria Fernandes

Se há coisa a que esta crise nos vai nos vai habituar é ao desaparecimento de coisas com as quais crescemos. A Papelaria Fernandes é uma delas. Fica a recordação do mundo de novidades, de cheiros, de cores e de formas que, mesmo depois de ter deixado de ser criança, continuava a dar-me um imenso prazer sempre que por lá deambulava.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Imigrantes com acesso a tarifas de residente


É uma causa justa. Quem é contribuinte líquido do Estado deve poder usufruir de direitos como o locais, independentemente do local de origem (que aliás é o menos importante). Esta é a base de uma verdadeira comunidade. Bem-vindos.

A petição pode ser assinada aqui.

Apoio contra a Sorte de Varas

Porque é um assunto que divide profundamente a nossa sociedade.
Porque, em minha opinião, as prerrogativas que o novo Estatuto atribui à região deveriam estar a ser usadas com assuntos mais consensuais e até mais importantes.
Porque temos de ter uma democracia mais participativa e menos representativa, a ALR tem a obrigação de procurar saber o que quer o eleitorado antes da eventual aprovação.
Deixei há muito de acreditar neste tipo de representatividade democrática que não respeita quem a paga e apenas nos pede o voto de 4 em 4 anos.
Apoio por isso o não à sorte de varas.
(foto tirada daqui)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Dêem-lhes peixe e ensinem-nos a roubar"

Leitura recomendada para reflexão de quem promove políticas sociais e faz planeamento urbano como o da periferia de Angra, actualmente toda ela um imenso bairro social.

Ferus Mustafov

Ferus Mustafov é um popular saxofonista cigano macedónio. Outra face dos balcãs, mais uma singularidade da Europa.

domingo, 10 de maio de 2009

A Sorte de Varas

A questão da sorte de varas tem causado uma grande produção de opiniões nos blogs da região, mais contra que a favor. Curiosamente este fenómeno não tem acontecido na imprensa regional com a mesma intensidade e hoje estamos à beira de assistir à aprovação desta prática pela ALR, sem que se tenha feito um debate sério sobre o assunto.
Por conseguir perceber muitos dos argumentos contra e a favor, confesso que tenho estado dividido quanto ao assunto.
Por um lado, estou convencido que sem toureio não existirão touros, pois não servem para mais nada e quando isso acontece a um animal ele extingue-se a prazo. A nossa relação com os animais é, ainda hoje, muito ditada pela utilidade objectiva que possam ter. Assim, muitos dos argumentos dos que estão a favor, e sendo a tourada um espectáculo centrado no touro, são coerentes.
Por outro, na qualidade de ex-apreciador, considero cada vez mais estas manifestações pouco dignas de animais e Homens. E aqui vou mesmo mais longe que alguns que, estando contra a sorte de varas, se assumem como defensores das touradas. Hoje não aprecio tourada alguma, nem mesmo à corda. Acho mesmo estas últimas, em muitos aspectos, piores e mais degradantes que as de praça. Mas isto são questões laterais às que se colocam agora.
Sou um regionalista convicto. Considero que a região nunca fez totalmente uso das prerrogativas que já detinha em matéria legislativa. Escolhe agora um péssimo tema para usar as que o novo Estatuto Político lhe atribui, já que existem muitas outras matérias onde o poderia fazer com maior proveito da comunidade (p.e. fiscalidade ou certificação energética, só para citar duas).
Apesar de não haver números, a acontecer a aprovação da sorte de varas pela ALR, estou convencido que acontecerá contra a opinião da maioria dos eleitores, mesmo da Terceira.
O processo legislativo regional será sempre, por natureza, um processo de conquista, muitas vezes em conflito com o nacional e com as visões centralistas que quase sempre o caracterizam. Mas esta conflitualidade será positiva se tiver como suporte a vontade expressa da comunidade e os seus interesses. Não me parece que a sorte de varas seja o caso.
O órgão máximo da Autonomia Regional presta assim um péssimo serviço à regionalização, ao país e, em especial, à própria região. Espero por isso que, seja qual for a decisão dos deputados, ela seja muito bem explicada e em especial assumida por cada um deles.

sábado, 9 de maio de 2009

O Governo Regional e prazos de pagamento

Depois da publicação dos prazos médios de pagamentos dos municípios surge esta informação no site do Governo Regional.
Atendendo ao que já foi prática no passado, deste e de anteriores governos, esta atitude é de reconhecer e vale mais que qualquer linha de crédito que possa ser disponibilizada às empresas.
Porque, independentemente da cor partidária quer dos governos quer dos municípios, o importante são as boas práticas (e estas não têm côr partidária) e a sustentabilidade do que é a maior fonte de receitas do Estado: as empresas. Sem estas não há Estado.
Todas as discussões à volta do "o meu prazo médio é melhor que o teu porque é o do meu partido" só revelam que para muitos (talvez demasiados) tanto faz que sejam 30 dias como 800, já que nem num caso nem no outro alguma vez serão afectados, pois nunca terão problemas de tesouraria para resolver.

PECADOS CAPITAIS (14)



3. A LUXÚRIA

3.4. O CULTO DA JUVENTUDE

"O culto da juventude revela o abandono do espírito, inclinação para os lados da luxúria, delírio tornado ameaça quando o poder é entregue aos jovens, moda que já prolifera no Ocidente.
Os jovens têm a beleza física e toda a pujança vital, qualidades excelentes para a reprodução e para a guerra; mas não é costume a juventude ser sensata e ponderada, marcas da maturidade, indispensáveis às sociedades humanas. Baralhar esta ordem de razões é fatal para a civilização. Conduz à impiedade.
Aos mais novos falha a experiência da vida, fonte de certeza fundamental ao chefe. Até o jovem melhor formado carece do refinamento que os anos trazem à inteligência pura. Uma criança resolve um problema lógico – mas as crianças são conhecidas por serem inflexíveis na aplicação de conceitos como Bem e Justiça. Falta-lhes a subtileza de quem já muito viu e viveu. A palavra “senhor” deriva de “senior”, bem como “senado”.
Isto é tanto mais assim quanto amadurecemos muito tarde nas sociedades contemporâneas. Nos tempos que correm, jamais se deveria atribuir poder a quem não tivesse pelo menos cinquenta anos e não fosse casado.
Também deve ser evitado atribuir poder a pessoas que não sejam formadas em Humanidades, porque só a Filosofia, a História, a Literatura, a Religião e as Artes enobrecem a alma humana. Outras formações académicas dão óptimos segundos lugares, que são os técnicos e especialistas, mas não líderes.
Sociedades governadas por jovens abandonam progressivamente a alta estirpe que fez da Europa o clímax da Humanidade. Revelam esquecimento das raízes, descrença no futuro, desespero face à morte. Concorrem pelo prazer e pelo dinheiro. Têm os dias contados, porque o Tempo é implacável." - Mário Cabral in Diário Insular

Municípios e prazos de pagamento

Foi tornada pública há dias a lista nacional dos prazos de pagamentos praticados pelos nossos municípios. Fica assim revelada apenas uma pequena parte do cancro que se instalou na nossa economia, em grande parte pela mão de um Estado que é cada vez mais insaciável.
Não sendo propriamente uma surpresa, pois já aqui tenho abordado este assunto, alguns números são impressionantes, diria mesmo criminosos, pelo efeito de contaminação que têm em especial em mercados pequenos.
Não há atrasos de transferências de verbas da administração central que justifiquem alguns dos prazos constantes daquela lista. Nem tão pouco é relevante a cor partidária ou o facto de incluírem ou não os prazos praticados pelas empresas municipais, já que estas últimas, em última análise, o que fazem é disfarçar durante algum tempo a catástrofe financeira que são as contas de muitos dos municípios.
Com apenas cerca de 19% dos Municípios a pagar, em média, até 30 dias, e estando certo que a maioria dos organismos públicos não têm um comportamento diferente, o Estado é o maior inimigo da economia e assim, infelizmente, Portugal é cada vez mais um país inviável.
Por tudo isto considero que os apelos ao empreendedorismo não são nem sinceros nem para levar a sério.
(Imagem tirada daqui)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Liszt (1)

PECADOS CAPITAIS (13)


3. A LUXÚRIA

3.3. SENTIMENTALITE

"A maior das obscenidades desta época é o despudor com que se fala dos sentimentos em público. A perversão atinge a pornografia quando aqueles são rebaixados ao nível das sensações; o verbo é o mesmo “sentir”… mas que diferença vai entre a sensualidade e o ter coração!
Era previsível que a modernidade romântica viesse parar aqui, depois do idealismo ter separado a razão do corpo e o materialismo reduzido o espírito a meras sinapses. Coitado do coração, desde sempre conhecido por sede dos afectos! Abandonado à sua sorte, foi caindo na lamechice das telenovelas mexicanas.
Perdida a unidade da pessoa humana, cada parte separada é indecente, insultuosa, imoral. Sem a razão como rédea bem dirigida, o coração é a casa dos excessos desavergonhados e perigosos: não vale pensar só nas paixões funestas; olhe-se para o ciúme, para o ódio, para a vingança, tão bem retratados na literatura como riscos do bem comum.
Quem é que escolhe entre o amor ou o ódio? Quem é que tempera um e outro? Quem ensina o coração a ter sentimentos é a razão e só ela. Os sentimentos podem derivar de instintos naturais, mas quase nunca atingem o clímax da nobreza sem uma boa formação moral a moldá-los.
O exemplo incontornável é a caridade, sentimento que tem início documentado, que levou séculos a construir e que está a ser destruído paulatinamente, sem que se entenda, por ignorância histórica, o horror bárbaro que virá depois, o mesmo que havia antes dela. Outros sentimentos, também importantes e em ruínas, são: o amor de mãe e o amor à terra, corroídos pelos ataques à família e à pátria.
O coração era assunto privado. Podiam nomeá-lo os grandes poetas. Havia sublimação e catarse. Hoje não se lê poesia." - Mário Cabral in Diário Insular

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A urgência de uma atitude liberal no Portugal de hoje

"O mundo divide-se hoje entre os que procuram pelos seus meios, o seu espaço, e os que esperam, de mão estendida, aquilo que o sistema burocrático tem para lhes dar. A dicotomia política faz-se hoje entre os que permanecem fiéis às raízes liberais, de confiança no indivíduo, na sua capacidade e criatividade, e defendem a sua autonomia e a sua esfera de direitos, e os que projectam no Estado as suas aspirações, limitando na teia legal-burocrática o seu raio de acção. Portugal assiste impávido e crédulo à escalada galopante do Estatismo e à captura de recursos pelas cliques que o rodeiam; a factura a pagar, se persistirmos neste caminho, vai ser elevadíssima, em particular a dos mais jovens e dos mais pobres." o resto do texto n'O Insurgente

Šaban Bajramović

Šaban Bajramović era um popular cantor cigano sérvio. Os balcãs, fruto das inúmeras influências culturais, têm alguns dos artistas e estilos musicais mais singulares da Europa.

"José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo."

"Tem de se abrir os partidos. Porque hoje não atraem nenhuma pessoa inteligente, livre, que tenha futuro na vida. Não se mete num partido. Só se metem lá uns manhosos, porque aquilo é uma carreira. Entram lá pequeninos, depois estão lá mais uns tempos, depois são assessores, depois são guarda portões e depois são ministros." - Medina Carreira in Correio da Manhã

Medina Carreira é um pouco como o Diabo, que é sábio não por ser o Diabo mas por ser velho.
Uma entrevista com muita matéria de reflexão. Recomendável a aprendizes de feiticeiros que militam nas jotas.

sábado, 2 de maio de 2009

Autárquicas 2009 (6)

Contrariando o que tenho lido em muitos dos blogs locais o candidato António Ventura está com uma prestação acima do que, à partida, eram as minhas expectativas.
Sendo uma candidatura que me pareceu sempre indesejada em muitos meios, quem sabe mesmo dentro do próprio partido, António Ventura parte em desvantagem em relação aos demais candidatos. Muitas das suas propostas são, em minha opinião, pertinentes e estão a contribuir para ir modificando a imagem de candidato derrotado com que iniciou a campanha.
Vem isto a propósito das críticas que tenho lido às propostas que apresentou há dias sobre a net.
Se há matéria em que o actual poder municipal não pode reclamar obra é nesta. O site da CMAH é duma pobreza franciscana e o acesso a sinal aberto wireless existente é pouco mais que nada.

Autárquicas 2009 (5)

No imenso quadro de mediocridade que, em minha opinião, caracteriza e se arrasta em muitos dos nossos municípios, é bom saber que ainda vão beneficiando da excelência de pessoas como Félix Rodrigues.

Os nossos transportes marítimos (1)

"A presidente do PSD/Açores, Berta Cabral, defendeu ontem, em Angra do Heroísmo, a abertura de um concurso público para a concessão a empresários privados do transporte marítimo entre as ilhas açorianas." Berta Cabral in A União
Não podia estar mais de acordo. O Estado nunca teve, não tem, nem terá vocação para ser armador, nem para empresário de um modo geral.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1º de Maio (1)


Hoje alguém decidiu acertar contas antigas. Não aprecio muitos dos reciclados que povoam o actual PS mas este tipo de acontecimentos são sintoma de falta de cultura democrática. Afinal respeitar e até admirar os adversários não é para todos.