terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Empreendedorismo (4)

Tendo encontrado este post sobre a Gala do Empreendedor do passado dia 9 em Ponta Delgada, decidi voltar ao tema.

Falemos agora de quando o Estado vai ao bolso do Empreendedor.

E fá-lo todos os dias 15 de cada mês, dia em que tem de se pagar a Segurança Social (vai também noutras alturas mas fica para outros post's).

O sistema é muito simples, até se pode pagar pela net, e as taxas são um verdadeiro assalto. Fazendo as contas com o IRS (este entrega-se a 20 de cada mês, depende dos escalões de IRS e o grande acerto é feito anualmente), por cada 2 trabalhadores os encargos mensais equivalem praticamente a um terceiro.

Quanto ao Empreendedor, se optar por ser empregado da sua empresa tem taxas ligeiramente diferentes, mas como fica no duplo papel de empregado e empregador a taxa é no mínimo obscena.

Se o Empreendedor optar por trabalhar a recibos verdes para a sua empresa, como é o meu caso (ou seja não há salário fixo e muito menos regular, pois há meses em que simplesmente não há), tem de pagar a Segurança Social em dinheiro vivo (nada de cheques, pois isto de ser trabalhador independente não é de confiança...mesmo quando isso acontece por opção do próprio) ou pela net, mesmos nos meses em que não teve retribuição, obviamente. Antes dos pagamentos estarem generalizados pela net acontecia-me todos os meses esta cena no mínimo estúpida: passava um cheque para o pagamento da prestação dos empregados e pagava em dinheiro vivo a minha.

Escusado será dizer que para ter alguma cobertura pelo menos em caso de doença as taxas são uma mão do Estado em regime permanente no nosso bolso.

O sistema garante pelo menos duas coisas: trabalhar até aos 65 anos (por enquanto) e reformas longe dos valores milionários de que temos notícia de vez em quando (não é por acaso que os grupos profissionais e sociais que têm regimes próprios fogem do regime geral como o Diabo da Cruz).

É já um lugar comum dizer-se que em Portugal os salários são baixos e é uma grande verdade. Mas para termos níveis salariais superiores não podemos continuar com encargos tão pesados, em especial sobre as micro-empresas. Enquanto tivermos por cada dois empregados os encargos mensais equivalente a três (em termos líquidos), é preciso ponderar muito quer os salários quer novas contratações (aqui entraria também o tema da Legislação Laboral que não vou comentar agora).

O que acham os candidatos a empreendedores? Animador?

1 comentário:

  1. não esquecer o artº 113 do CIRS, é mais uma ajuda do sr. socras

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